Uma maneira de mudar os hábitos, sobretudo das crianças,
seria envolvê-las na preparação das refeições, mas isso não acontece com
frequência. Acontece (ou acontecia...) na escola, sobretudo nas escolas
promotoras da saúde, mas em casa, pouco.
Por falta de tempo ou de conhecimento para cozinhar rápido,
muitas famílias cozinham pouco em casa, e a perda desse hábito é também a causa
de se fazer uma alimentação pouco saudável, ou seja, a vida apressada que hoje
se leva e o pouco tempo para cozinhar, levam a que haja pouca imaginação e
vontade para criar pratos, recorrendo-se muitas vezes a fast food e
pratos pré-cozinhados que nem sempre são uma opção muito saudável.
Uma maneira de mudar os hábitos, sobretudo das crianças, seria envolvê-las na
preparação das refeições, mas isso não acontece com frequência. Acontece, (ou
acontecia...) na escola, sobretudo nas escolas promotoras da saúde, mas em
casa, pouco. No entanto, e ao contrário do que seria desejável, as crianças e
jovens têm uma participação importante nas compras de casa! Os pais compram
muitas vezes sob pressão dos filhos que, por sua vez, sofrem a pressão da
publicidade. E, como sabemos, a maioria da publicidade dirigida a crianças não
promove propriamente alimentos saudáveis.
Quais as vantagens das crianças aprenderem a cozinhar desde cedo?
Por um lado, envolvê-las em tarefas que lhes deem algum papel de entreajuda
familiar. Por outro lado, ao serem incluídas em tarefas que decorrem no
interior da cozinha começam, mesmo que involuntariamente, a ser
"chamadas" pela cor e pelo cheiro dos alimentos podendo mais
facilmente despertar-lhes a vontade de aprender a cozinhar e de experimentar
novos pratos e sabores. Além disso, dá-lhes uma maior independência e autonomia
dos pais. Muitas mães ainda não compreenderam isto e depois, quando os filhos
entram numa faculdade fora do local em que habitam, preparam-lhes previamente
as refeições para uma semana para que eles não recorram à comida
"industrial pré-cozinhada que, como se sabe, é muitas vezes pouco saudável
e nutritiva.
Cozinhar pode ser pretexto para falar sobre os vários ingredientes e alimentos
e aspetos ligados aos alimentos e nutrientes saudáveis
No fundo trata-se de os pais cozinharem e comerem de forma saudável para que os
seus filhos o façam também. Isso implica falar de todos os alimentos incluídos
na "Roda dos Alimentos" e de nenhum em particular. Todos são
importantes e o segredo está na variedade. Por isso, incentivar a provar é uma
das chaves do sucesso para que gostem e comam de tudo. É necessário transmitir
a mensagem de que não há alimentos tão bons que se possam consumir isoladamente
nem tão maus que não se possam comer nunca. Uma alimentação que inclua apenas
dois ou três alimentos considerados saudáveis deixa de ser saudável porque se
corre o risco de carências por omissão de todos os outros, pela monotonia dos
nutrientes ingeridos.
É importante ter em conta a idade da criança
Obviamente é importante considerar a idade da criança quando se lhe vai
atribuir uma tarefa na cozinha. Cortar com facas, mexer no fogão, sentá-las em
bancos altos para preparar alimentos, etc, são gestos que têm de ser pensados
para cada situação. Convém também não descurar a higiene pessoal e dos
alimentos sempre que se vai cozinhar. Incluir as crianças na preparação das
refeições pode ser também uma maneira de lhes pedir sugestões para a confeção
de alimentos de que gostem menos. É importante que elas sejam consultadas e que
se façam pratos de acordo com o seu gosto e não só pelo gosto do pai... No caso
dos adolescentes, programas de jovens "chefs" como o Jamie Oliver,
que tem uma atitude de irreverência que "toca" os jovens mas também
com grande capacidade de transmitir conceitos simples e práticos, podem ter um
grande impacto na modificação dos seus gostos alimentares e na sua atração pela
cozinha.
Estou convencida de que estabelecer uma relação "íntima" com os
alimentos, permitindo, tocar, mexer e experimentar vários alimentos e
ingredientes, fazendo do ato de comer uma estimulação de todos os sentidos e
não só do gosto, poderá ajudar a aderir a uma alimentação mais variada. Um
prato pode ser muito saboroso, mas se não for atrativo ao olhar, pode nem
sequer chegar a ser provado. Também o tato é extraordinariamente importante,
daí não ser a mesma coisa comer ostras que se retiram cerimoniosamente da
concha ou retirá-las com um palito de um frasco de conserva... Um bom odor e um
prato colorido terão muito mais impacto sobre o apetite. A presença de frutas
ou legumes coloridos é muito importante para a estimulação visual quer de
crianças quer de outras pessoas em que o apetite está diminuído, como nos
idosos, por exemplo. E se estes são os alimentos com mais cor e mais ricos em vitaminas,
minerais e antioxidantes, são também aqueles que menos engordam.
Com a preocupação com a obesidade infantil, vários programas de saúde alimentar
têm sido desenvolvidos nas escolas. A complementaridade com a experiência em
casa seria fundamental para alterações de hábitos porque muitos pais, além de
terem hábitos alimentares incorretos que praticaram ao longo de muitos anos,
não fazem ideia de como fazer uma alimentação saudável uma vez que nunca o
aprenderam. E, nesse caso, os próprios filhos poderão ser um importante fator
de mudança nos hábitos dos pais e de casa. Por outro lado, quando os pais são
informados, fazer uma alimentação equilibrada em casa corrobora aquilo que
aprenderam na escola. Daí, estes programas escolares e as escolas promotoras da
saúde serem tão importantes. Podem ser a chave para a mudança dos hábitos
alimentares de toda a família, desde que as crianças comecem a ser envolvidas
na preparação das refeições. Até há pouco tempo, a escola era tudo menos um
exemplo de boas práticas e isso não dava credibilidade ao que por lá se
ensinava...
In: http://www.educare.pt/educare/Detail.aspx?contentid=BFAA9E884755CEE6E0400A0AB8002B34&channelid=EA94578BA2CC9D42B018D56C7463A20F&schemaid&opsel=2