Uma mulher nos Estados Unidos da América decidiu fazer uma experiência e testar o prazo de uma refeição infantil do McDonald’s. No dia 8 de janeiro de 2010, Jennifer Lovdahl comprou um “Happy Meal”, constituído por quatro panados de frango e um pacote de batatas fritas. E guardou-o no escritório.
De acordo com o jornal britânico “The Independent”, segunda-feira, seis anos depois, Jennifer Lovdahl concluiu a experiência e abriu a caixa da refeição, que já começava a desfazer-se. Para seu espanto, os panados de frango e as batatas estavam intactos.
"Não apodreceu, criou bolor ou começou a decompor-se", escreveu a norte-americana no Facebook, após partilhar fotografias do "Happy Meal" com seis anos e a alertar para a quantidade de conservantes presentes na refeição infantil.
"Só cheira a cartão. Fiz esta experiência para mostrar aos pais o quão pouco saudável esta comida pode ser. Especialmente para as nossas crianças! Maçãs, bananas, cenouras, aipo… Isso é que é verdadeira ‘fast food’", concluí Jennifer Lovdahl na publicação feita nas redes sociais, que já se tornou viral.
No site oficial, a empresa aborda a questão para explicar que “a comida precisa de humidade no ar. Sem ela, a comida simplesmente seca – por exemplo, como o pão que é deixado de fora do armário durante a noite para fazer “croutons”.
“Podem ter visto experiências que parecem mostrar que não há nenhuma decomposição nos pratos que servimos. Mas provavelmente, isso é porque a comida desidratou antes que qualquer deterioração visível tenha ocorrido”, acrescentou a McDonald's.
In, em 10-02-2016: http://www.tvi24.iol.pt/acredite-se-quiser/mcdonald-s/mulher-guardou-happy-meal-durante-seis-anos-veja-como-ficou
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Cortar nos hidratos de carbono ou nas gorduras?
Para perder peso é mais eficaz cortar nos hidratos de
carbono ou evitar as gorduras?
De acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos, cortar na gordura pode ter mais resultados. E também na opinião do médico de Medicina Geral e Familiar Pedro Lobo do Vale, em entrevista nesta segunda-feira na TVI24.
No entanto, segundo o clínico, o mais importante é comer menos e bem.
De acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos, cortar na gordura pode ter mais resultados. E também na opinião do médico de Medicina Geral e Familiar Pedro Lobo do Vale, em entrevista nesta segunda-feira na TVI24.
No entanto, segundo o clínico, o mais importante é comer menos e bem.
“Devemos cortar em tudo. É mais fácil perder peso com uma
alimentação equilibrada se cortarmos um terço do que comemos diariamente."
"De facto, se perguntar à maior parte das pessoas o que é que engorda mais, se é uma colher de açúcar ou de azeite, a maior parte vão dizer que é o açúcar, mas é precisamente o contrário, porque a gordura, neste caso o azeite, tem o dobro das calorias do açúcar, que é um hidrato de carbono puro. Portanto, as pessoas pensam que emagrecem se cortarem nos hidratos e não é verdade. A gordura engorda mais porque tem mais calorias, mas o mais importante para emagrecer é ter uma alimentação equilibrada com os principais nutrientes, com hidratos de carbono, com gorduras, com proteínas, com água, mas comendo menos e fazendo mais exercício físico. Só cortar nos hidratos de carbono não é, de certeza, uma boa dieta”, defendeu.
Pedro Lobo do Vale enalteceu, aliás, a importância de ingerir hidratos de carbono, desde que sejam de boa qualidade.
“Os hidratos de carbono são muito importantes porque nos dão
energia. Mas têm de ser de boa qualidade."
"Vou dar alguns exemplos: comer fruta ou açúcar, embora haja açucar na fruta? É melhor comer fruta; o mel é melhor que o açúcar refinado, uns flocos integrais são melhores que uns flocos refinados. Ou seja, o problema dos hidratos de carbono depende da qualidade. É importante ingerir hidratos de carbono pouco refinados porque em relação à diabetes, à assimilação do açúcar, são de absorção bastante mais lenta e saciam muito mais. Se comermos simplesmente açúcar é diferente de estar a comer batatas ou massa, que enchem muito mais mas também são hidratos de carbono", sustentou.
“Portanto, não cortar hidratos de carbono, cortar sim
naqueles que são maus, que são de absorção rápida, como o açúcar”.
Pedro Lobo do Vale lembrou que “há hidratos carbono em imensa coisa, nomeadamente no leite, nas leguminosas, seja no feijão, grão ou na soja, nos cereais…". “Por exemplo, o pão branco é muito pior que um pão de mistura ou um pão integral. Há que trocar os hidratos de carbono de má qualidade pelos de boa qualidade, primeiro porque têm mais nutrientes, depois porque saciam mais e depois em relação às doenças metabólicas são muito melhores”, reforçou.
O que devemos então privilegiar na alimentação para perder ou manter o peso de forma saudável?
“Sempre vegetais, fibras na alimentação e as coisas menos refinadas. Tudo o que seja muito industrializado, como bolachas, bolos, acepipes, enlatados, tudo o que tem muitos conservantes, é francamente pior que a comida natural. De facto, a fruta, os legumes, as leguminosas, os cereais integrais, o peixe, isso é que é fundamental. E também sermos um pouco mais vegetarianos. Não é preciso sermos totalmente vegetarianos mas os alimentos que ingerimos de origem animal são para a parte cardiovascular piores do que os de origem vegetal”, argumentou o médico.
In: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/dietas/cortar-nos-hidratos-de-carbono-ou-nas-gorduras a 24/08/2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Como não engordar nas suas férias
As férias são o momento mais esperado do ano. Como tal, não devemos gorar as nossas expectativas e, sendo fundamentais para o nosso equilíbrio emocional, devemos gozá-las integralmente. No entanto, se para elas partimos com o desejo de não “estragar” o que fizemos durante o ano, e refiro-me, obviamente, a quem esteve a seguir um plano alimentar hipocalórico e conseguiu perder peso, é igualmente importante não recuperar os quilos que demoraram algum tempo a perder. Porque se tal acontecer, a “rentrée” virá já com uma preocupação acrescida, a de ter engordado nas férias e de ter que recomeçar tudo outra vez...
No entanto, para quem, ainda assim, quer ter algumas regras mesmo em férias, aqui ficam algumas recomendações:
1- Tome sempre o pequeno-almoço, completo, variado e equilibrado, o que significa “misturar“ alimentos de três grupos:
• leite, iogurte, queijo fresco ou requeijão ou em sua substituição ovos, carnes ou pescado;
• pão, cereais de pequeno-almoço ou tostas;
• fruta, sumo ou salada de fruta.
2- Evite estar mais de 3-4 horas sem comer para evitar comer demasiado nas refeições principais.
3- O almoço pode ser uma sandes completa, constituída por pão escuro ou de mistura (sacia durante mais tempo), um fornecedor proteico (peixe, de conserva, por exemplo, carne ou ovos) combinado com hortícolas (pimento morrone em frasco, cenoura ralada, rúcula, alface, tomate, etc.) a que se pode acrescentar uma peça de fruta. Se está a fazer praia, o que não é aconselhado na hora do almoço, deve evitar alimentos de difícil digestão, sobretudo ricos em gordura como as frituras, mas também bebidas alcoólicas e refrigerantes que, além de desidratarem, também engordam. Água ou fruta com elevado teor de água, como melão, melancia, meloa, ameixas, uvas, etc., devem fazer parte do merendeiro para evitar a desidratação.
4- O lanche convencional pode ser substituído por um gelado que não ultrapasse as 300 kcal (pode ver e escolhê-los na tabela em www.umaquestaodepeso.com).
5- Se quiser desfrutar de uma bebida numa esplanada ao fim da tarde e juntar-lhe um aperitivo, escolha azeitonas, tremoços, caracóis ou amêijoas, por exemplo. As azeitonas e os tremoços têm cerca de cinco vezes menos calorias do que batatas fritas, amendoins ou outros aperitivos de pacote. Este momento é importante também para que coma menos ao jantar.
Se for para o estrangeiro, sobretudo para um país com uma gastronomia muito diferente da nossa, será mais difícil guiar-se pela nossa roda dos alimentos. No entanto, a maioria dos hotéis tem alimentos compatíveis com outras culturas, o que facilita a escolha. Uma coisa é universal: aquilo que mais engorda na alimentação são as gorduras, que incluem o azeite, o óleo e a manteiga, e as bebidas alcoólicas. Por isso, se não exagerar nestes alimentos, nada de mal acontecerá ao seu peso. E se o fizer, compense com longas caminhadas, passeios na praia ou de bicicleta, natação.
Mas mesmo que não se preocupe com nada a não ser em desfrutar em pleno das suas férias, que incluem obrigatoriamente o prazer da mesa, pense em melhorar a sua alimentação assim que regressar. E mesmo que tenha engordado um pouco, num mês voltará ao normal, sem grande esforço...
Que tenha umas excelentes férias, é o que lhe desejo!
PAULA VELOSO. Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
in: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=38663&langid=1 em 02/07/2015
No entanto, para quem, ainda assim, quer ter algumas regras mesmo em férias, aqui ficam algumas recomendações:
1- Tome sempre o pequeno-almoço, completo, variado e equilibrado, o que significa “misturar“ alimentos de três grupos:
• leite, iogurte, queijo fresco ou requeijão ou em sua substituição ovos, carnes ou pescado;
• pão, cereais de pequeno-almoço ou tostas;
• fruta, sumo ou salada de fruta.
2- Evite estar mais de 3-4 horas sem comer para evitar comer demasiado nas refeições principais.
3- O almoço pode ser uma sandes completa, constituída por pão escuro ou de mistura (sacia durante mais tempo), um fornecedor proteico (peixe, de conserva, por exemplo, carne ou ovos) combinado com hortícolas (pimento morrone em frasco, cenoura ralada, rúcula, alface, tomate, etc.) a que se pode acrescentar uma peça de fruta. Se está a fazer praia, o que não é aconselhado na hora do almoço, deve evitar alimentos de difícil digestão, sobretudo ricos em gordura como as frituras, mas também bebidas alcoólicas e refrigerantes que, além de desidratarem, também engordam. Água ou fruta com elevado teor de água, como melão, melancia, meloa, ameixas, uvas, etc., devem fazer parte do merendeiro para evitar a desidratação.
4- O lanche convencional pode ser substituído por um gelado que não ultrapasse as 300 kcal (pode ver e escolhê-los na tabela em www.umaquestaodepeso.com).
5- Se quiser desfrutar de uma bebida numa esplanada ao fim da tarde e juntar-lhe um aperitivo, escolha azeitonas, tremoços, caracóis ou amêijoas, por exemplo. As azeitonas e os tremoços têm cerca de cinco vezes menos calorias do que batatas fritas, amendoins ou outros aperitivos de pacote. Este momento é importante também para que coma menos ao jantar.
Se for para o estrangeiro, sobretudo para um país com uma gastronomia muito diferente da nossa, será mais difícil guiar-se pela nossa roda dos alimentos. No entanto, a maioria dos hotéis tem alimentos compatíveis com outras culturas, o que facilita a escolha. Uma coisa é universal: aquilo que mais engorda na alimentação são as gorduras, que incluem o azeite, o óleo e a manteiga, e as bebidas alcoólicas. Por isso, se não exagerar nestes alimentos, nada de mal acontecerá ao seu peso. E se o fizer, compense com longas caminhadas, passeios na praia ou de bicicleta, natação.
Mas mesmo que não se preocupe com nada a não ser em desfrutar em pleno das suas férias, que incluem obrigatoriamente o prazer da mesa, pense em melhorar a sua alimentação assim que regressar. E mesmo que tenha engordado um pouco, num mês voltará ao normal, sem grande esforço...
Que tenha umas excelentes férias, é o que lhe desejo!
PAULA VELOSO. Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
in: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=38663&langid=1 em 02/07/2015
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
As melhores proteínas ao melhor preço
Não é apenas na particular altura que atravessamos que costumo chamar a atenção para os benefícios de comer ovos. Se em época de crise há quem ache que é importante reduzir despesas, eu entendo que é importante saber sempre gerir o orçamento para não entrarmos em crise. Porque uma crise financeira pode muito bem levar a uma crise alimentar, logo, a uma crise na saúde.
Aquilo que mais pesa na nossa alimentação é o consumo
desproporcionado de proteínas fornecidas por alimentos que são os mais caros do
mercado. Na realidade, as carnes, peixe, moluscos e mariscos são mais
dispendiosos do que qualquer outro alimento. Além de que, normalmente, se comem
em quantidades excessivas, sobretudo as carnes. No entanto, os ovos, igualmente
bons fornecedores proteicos, são incomparavelmente mais baratos. Talvez por
isso não se lhes dê a devida importância. Ainda se associa a qualidade ao
preço. Por isso a sopa e o pão são para os pobres, segundo muitas cabeças.
Os ovos possuem proteínas de elevada qualidade, diz-se com o
mais elevado valor biológico, servindo de referência os outros alimentos. São,
desde há muitos séculos, alimentos comuns na cozinha, e sobretudo em
pastelaria. Como são fáceis de obter, foram, em tempos, alimentos importantes
na dieta de pessoas com fracos recursos económicos. Hoje em dia, dado o acesso
cada vez maior a alimentos de baixo custo, os ovos são cada vez mais
esquecidos, pese embora a sua valorosa constituição nutricional. Em boa
verdade, são os alimentos mais nutritivos que podemos comprar.
As proteínas do ovo são então as mais completas no que
respeita à proporção e quantidade de aminoácidos essenciais, isto é, as que
permitem ao organismo "fabricar" as suas próprias proteínas. Além
disso, os ovos contêm uma gama variada de vitaminas do grupo B, sobretudo a B2
e a B12, vitamina A e vitamina D. Na sua constituição, encontramos também
fósforo, cálcio, iodo, magnésio, zinco, selénio, ferro e sódio. Apesar do seu
elevado teor em colesterol, cerca de 400 mg por 100 g que apenas existe na
gema, têm baixo valor calórico e poucas gorduras saturadas, o que permite a sua
utilização mesmo em dietas de pessoas com hipercolesterolemia (colesterol
sanguíneo elevado). Segundo as mais recentes pesquisas o fator que mais
responsabilidade tem na elevação do colesterol sanguíneo é, não tanto o teor de
colesterol dos alimentos, mas a quantidade de gorduras saturadas que existem na
sua constituição. Dito de outra forma, para excluir os ovos de uma dieta teria
que proibir, também, a carne vermelha e os laticínios.
A cor da casca reflete a qualidade nutricional do ovo?
Ao contrário do que se pensa, a cor da casca depende apenas
da raça da galinha e não faz adivinhar o valor nutritivo do ovo. Antigamente, a
cor da gema poderia refletir a qualidade do ovo uma vez que só as galinhas que
se alimentavam de forma natural produziam ovos com a gema bem amarela. Hoje em
dia, uma vez que se adicionam pigmentos sem qualquer valor nutricional às
rações das galinhas de cativeiro, nem sempre é possível garantir que a cor da
gema seja reflexo de uma maior riqueza nutritiva. Só quando são de produção
caseira conhecida...
Porque se classificam os ovos?
A classificação dos ovos refere-se ao seu grau de frescura e
modo de conservação (se são ou não refrigerados) e ao tamanho dos mesmos. Não
ao seu valor nutricional.
Em jeito de conclusão
Consumidos com moderação (*) e, sobretudo, integrados numa dieta
saudável que inclui poucas gorduras animais e trans, a quantidade adequada de
produtos hortícolas e frutos, e desde que não se seja alérgico aos mesmos, os
ovos podem e devem ser incluídos nas dietas de todos, sobretudo crianças (com
mais de um ano), adolescentes e idosos, por serem fáceis de obter, nutritivos,
de fácil e versátil preparação culinária e baratos.
in: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=11737&langid=1
quinta-feira, 6 de março de 2014
Não coma gato por lebre
Segundo o calendário das estações do ano, estamos a chegar à primavera. Custa a acreditar, porque a chuva e o frio teimam em não ir embora, mas as coleções para a primavera/verão já se insinuam nas montras e logo que cheguem os primeiros raios de sol (e o orçamento o permita), começa de novo o sonho de caber nas roupas da moda num tamanho, ou número, que idealizámos como perfeito para a nossa silhueta. Mesmo que nunca o cheguemos a vestir, o ideal é não encontrar um modelo adequado ao nosso corpo, mas querer que o corpo fique bem num determinado modelo e tamanho.
É, por isso, inevitável que depois de uma primeira tentativa de perda de peso após a passagem de ano, quase sempre descontinuada pelo facto de, nessa altura, o corpo andar mais tapado, se volte a investir num projeto de perda de peso assim que se vislumbra a possibilidade de ter de o pôr mais à mostra. Porque a questão da saúde que resulta de uma alimentação adequada e da manutenção do peso correto continua a não ser a causa próxima para se aderir a um plano de emagrecimento. O que continua a pesar mais é a imagem corporal, baseada em estereótipos e modelos, impossíveis de alcançar pela maioria das pessoas. Por isso o recurso a produtos, regimes e suplementos que prometem perdas superiores a cinco quilos por mês é a grande esperança de todos os que se debatem com esse problema. O que não revelam é que, quando isso acontece, a recuperação de peso e a tendência para engordar ainda mais são uma evidência, uma vez que além de não se aprender a comer, isso implica, seguramente, a perda de massa muscular, ela que é a grande responsável pelo gasto energético do organismo.
O marketing e a publicidade veiculados por figuras de impacto público, e sobretudo quando são anunciados na TV, fazem acreditar que determinado produto ou dieta são realmente eficazes. Milhões de pessoas experimentam-nos e concluem que o problema de não emagrecerem se deve a uma incapacidade pessoal, nunca a uma ineficácia do produto ou regime. Se é anunciado na televisão, funcionou com a apresentadora X ou com a atriz Y e não funciona comigo, então é porque eu tenho um problema em emagrecer... O que duplica a frustração.
Nem de propósito! Enquanto escrevo este artigo, vou ouvindo na TV uma sátira sobre dois anúncios das “Televendas” que promovem produtos para emagrecer. Um anunciando um iogurte que promete emagrecimento instantâneo e um outro baseado numa alcachofra não sei de onde, com imagens do “antes” e do “depois”, cujo modelo se percebe imediatamente que não é o mesmo. É incompreensível como tanta gente, mesmo as que teriam mais obrigação de o não fazer por terem maior formação e informação, caia nessas armadilhas. Isso revela a incapacidade de perceber que a perda de peso não é um passe de mágica e a convicção profunda de que tudo o que promete perdas espantosas de peso deve ser experimentado. Pergunto eu: se houvesse alimentos e suplementos com tanta eficácia e sem prejuízo para a saúde, por que razão os nutricionistas não os prescreveriam?
Eu, como nutricionista, almejo o dia em que isso venha a acontecer!
Até lá, e consciente de que só engordamos com o que comemos em excesso, ou dito por outras palavras, se comermos mais do que o nosso corpo consegue gastar, continuo a acreditar que só com uma mudança no estilo de vida - que inclui a consciencialização e prática de uma dieta saudável (completa, variada e equilibrada) e maior atividade física, se poderá perder e manter duradouramente o peso, preservando a nossa tradição culinária e o nosso prazer de comer.
Mas também e, sobretudo, a nossa saúde física e psíquica!
PAULA VELOSONutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
in: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=24425&langid=1
É, por isso, inevitável que depois de uma primeira tentativa de perda de peso após a passagem de ano, quase sempre descontinuada pelo facto de, nessa altura, o corpo andar mais tapado, se volte a investir num projeto de perda de peso assim que se vislumbra a possibilidade de ter de o pôr mais à mostra. Porque a questão da saúde que resulta de uma alimentação adequada e da manutenção do peso correto continua a não ser a causa próxima para se aderir a um plano de emagrecimento. O que continua a pesar mais é a imagem corporal, baseada em estereótipos e modelos, impossíveis de alcançar pela maioria das pessoas. Por isso o recurso a produtos, regimes e suplementos que prometem perdas superiores a cinco quilos por mês é a grande esperança de todos os que se debatem com esse problema. O que não revelam é que, quando isso acontece, a recuperação de peso e a tendência para engordar ainda mais são uma evidência, uma vez que além de não se aprender a comer, isso implica, seguramente, a perda de massa muscular, ela que é a grande responsável pelo gasto energético do organismo.
O marketing e a publicidade veiculados por figuras de impacto público, e sobretudo quando são anunciados na TV, fazem acreditar que determinado produto ou dieta são realmente eficazes. Milhões de pessoas experimentam-nos e concluem que o problema de não emagrecerem se deve a uma incapacidade pessoal, nunca a uma ineficácia do produto ou regime. Se é anunciado na televisão, funcionou com a apresentadora X ou com a atriz Y e não funciona comigo, então é porque eu tenho um problema em emagrecer... O que duplica a frustração.
Nem de propósito! Enquanto escrevo este artigo, vou ouvindo na TV uma sátira sobre dois anúncios das “Televendas” que promovem produtos para emagrecer. Um anunciando um iogurte que promete emagrecimento instantâneo e um outro baseado numa alcachofra não sei de onde, com imagens do “antes” e do “depois”, cujo modelo se percebe imediatamente que não é o mesmo. É incompreensível como tanta gente, mesmo as que teriam mais obrigação de o não fazer por terem maior formação e informação, caia nessas armadilhas. Isso revela a incapacidade de perceber que a perda de peso não é um passe de mágica e a convicção profunda de que tudo o que promete perdas espantosas de peso deve ser experimentado. Pergunto eu: se houvesse alimentos e suplementos com tanta eficácia e sem prejuízo para a saúde, por que razão os nutricionistas não os prescreveriam?
Eu, como nutricionista, almejo o dia em que isso venha a acontecer!
Até lá, e consciente de que só engordamos com o que comemos em excesso, ou dito por outras palavras, se comermos mais do que o nosso corpo consegue gastar, continuo a acreditar que só com uma mudança no estilo de vida - que inclui a consciencialização e prática de uma dieta saudável (completa, variada e equilibrada) e maior atividade física, se poderá perder e manter duradouramente o peso, preservando a nossa tradição culinária e o nosso prazer de comer.
Mas também e, sobretudo, a nossa saúde física e psíquica!
PAULA VELOSONutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
in: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=24425&langid=1
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
A dieta mais saudável do mundo
Não será novidade para ninguém que a dieta mediterrânea é
considerada a mais saudável do mundo, tendo a aboná-la pelo menos três mil anos
de prática.
Por esse motivo, a Espanha solicitou à Comissão Europeia que a dieta mediterrânea venha a ser considerada Património Cultural Não Material da Humanidade e pediu a todos os países da UE que interfiram e apoiem este propósito.
A dieta mediterrânea é a alimentação dos povos da bacia do Mediterrâneo, espécie de oásis com a Natureza em todo o seu esplendor, plena de sol, prados e mar. Tudo isso se reflete na sua culinária repleta de cor, aromas e sabor.
Sabe-se hoje que é a mais adequada para prevenir ou tratar doenças resultantes de uma alimentação excessiva ou desequilibrada. Inúmeros estudos apontam para que os seus seguidores tenham muito menor probabilidade de sofrerem de síndrome metabólico, doença cardíaca ou cancro.
Apesar de Portugal não pertencer aos países mediterrânicos, a verdade é que produz todos os "ingredientes" da sua dieta. Este termo, originado do grego diaita, significava um "regime alimentar racional e metódico, composto por produtos naturais e ecológicos", embora nos nossos dias esteja quase obrigatória e injustamente ligado a dietas para doentes ou de emagrecimento. É tempo de retomar o verdadeiro sentido da palavra e entender que quando se fala em dieta, isso significa a totalidade de alimentos ingeridos ao longo de um dia, integrados num plano alimentar que dê saúde ao corpo e à mente.
O que podemos aproveitar da dieta mediterrânea na nossa alimentação?
Por esse motivo, a Espanha solicitou à Comissão Europeia que a dieta mediterrânea venha a ser considerada Património Cultural Não Material da Humanidade e pediu a todos os países da UE que interfiram e apoiem este propósito.
A dieta mediterrânea é a alimentação dos povos da bacia do Mediterrâneo, espécie de oásis com a Natureza em todo o seu esplendor, plena de sol, prados e mar. Tudo isso se reflete na sua culinária repleta de cor, aromas e sabor.
Sabe-se hoje que é a mais adequada para prevenir ou tratar doenças resultantes de uma alimentação excessiva ou desequilibrada. Inúmeros estudos apontam para que os seus seguidores tenham muito menor probabilidade de sofrerem de síndrome metabólico, doença cardíaca ou cancro.
Apesar de Portugal não pertencer aos países mediterrânicos, a verdade é que produz todos os "ingredientes" da sua dieta. Este termo, originado do grego diaita, significava um "regime alimentar racional e metódico, composto por produtos naturais e ecológicos", embora nos nossos dias esteja quase obrigatória e injustamente ligado a dietas para doentes ou de emagrecimento. É tempo de retomar o verdadeiro sentido da palavra e entender que quando se fala em dieta, isso significa a totalidade de alimentos ingeridos ao longo de um dia, integrados num plano alimentar que dê saúde ao corpo e à mente.
O que podemos aproveitar da dieta mediterrânea na nossa alimentação?
Se compararmos a nova Roda dos Alimentos com a Pirâmide
Alimentar Mediterrânea podemos notar algumas diferenças, não exatamente nos
alimentos representados mas. sobretudo, na frequência com que devem ser
consumidos.
As diferenças
• A principal é que a pirâmide se refere ao consumo de alimentos ao longo de um mês enquanto que a Roda se refere à ingestão diária de alimentos (por isso tem a forma redonda, que sugere um prato de comida).
• Na dieta mediterrânea, ovos, carnes brancas, peixe e marisco só algumas vezes por semana e carnes vermelhas 2-3 vezes por mês. Um dos grandes erros da alimentação dos portugueses reside no excesso do consumo de carne, sobretudo de carne vermelha.
• As nozes e outros frutos secos são utilizados na dieta mediterrânea diariamente e como substitutos proteicos da carne, pescado ou ovos. Embora o mesmo fosse desejável para Portugal, por cá estes alimentos são consumidos sobretudo na época natalícia, não lhes sendo reconhecida a sua importância na alimentação diária.
• Os doces são permitidos uma ou outra vez por semana (fim de semana?) o que não acontece na nossa Roda talvez porque esta se refere apenas ao consumo diário de alimentos.
• A nova Roda dos Alimentos centraliza a importância da água no dia a dia, o que não acontece na representação gráfica da dieta mediterrânea.
As semelhanças
• O consumo diário de alimentos "farináceos" como batata, arroz, leguminosas, pão e outros derivados de cereais (grão, feijão, etc.); legumes, fruta e laticínios com baixo teor de gordura é consensual.
• As gorduras como o azeite devem ser consumidas diariamente mas em pequeninas porções, uma vez que têm um valor calórico muito elevado e, em excesso, podem contribuir bastante para o aumento de peso.
No nosso país, produzem-se todos os alimentos necessários a uma alimentação saudável e não precisamos de recorrer a alimentos importados para colmatar as nossas necessidades nutricionais. Precisamos, isso sim, de fazer uma escolha criteriosa daquilo que comemos, aumentando o consumo de alguns alimentos e reduzindo o de outros para que possamos também dizer e sentir que a nossa é a alimentação mais saudável do mundo.
As diferenças
• A principal é que a pirâmide se refere ao consumo de alimentos ao longo de um mês enquanto que a Roda se refere à ingestão diária de alimentos (por isso tem a forma redonda, que sugere um prato de comida).
• Na dieta mediterrânea, ovos, carnes brancas, peixe e marisco só algumas vezes por semana e carnes vermelhas 2-3 vezes por mês. Um dos grandes erros da alimentação dos portugueses reside no excesso do consumo de carne, sobretudo de carne vermelha.
• As nozes e outros frutos secos são utilizados na dieta mediterrânea diariamente e como substitutos proteicos da carne, pescado ou ovos. Embora o mesmo fosse desejável para Portugal, por cá estes alimentos são consumidos sobretudo na época natalícia, não lhes sendo reconhecida a sua importância na alimentação diária.
• Os doces são permitidos uma ou outra vez por semana (fim de semana?) o que não acontece na nossa Roda talvez porque esta se refere apenas ao consumo diário de alimentos.
• A nova Roda dos Alimentos centraliza a importância da água no dia a dia, o que não acontece na representação gráfica da dieta mediterrânea.
As semelhanças
• O consumo diário de alimentos "farináceos" como batata, arroz, leguminosas, pão e outros derivados de cereais (grão, feijão, etc.); legumes, fruta e laticínios com baixo teor de gordura é consensual.
• As gorduras como o azeite devem ser consumidas diariamente mas em pequeninas porções, uma vez que têm um valor calórico muito elevado e, em excesso, podem contribuir bastante para o aumento de peso.
No nosso país, produzem-se todos os alimentos necessários a uma alimentação saudável e não precisamos de recorrer a alimentos importados para colmatar as nossas necessidades nutricionais. Precisamos, isso sim, de fazer uma escolha criteriosa daquilo que comemos, aumentando o consumo de alguns alimentos e reduzindo o de outros para que possamos também dizer e sentir que a nossa é a alimentação mais saudável do mundo.
In: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=11698&langid=1
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Só a água é “pura” e não engorda
A água é um elemento natural e absolutamente vital. Humedece
os tecidos orgânicos e as mucosas (boca, olhos e nariz), regula a temperatura
corporal, lubrifica as articulações, previne a obstipação e transporta
sais minerais e outros nutrientes para as células, através do sangue e da
linfa.
Cerca de 70% do nosso peso corporal é água e uma descida acentuada do nível corporal pode resultar em desidratação que, se for grave, poderá ser fatal. Como se perde água permanentemente através da urina, fezes, transpiração e respiração, é importante beber em abundância para que todos os processos orgânicos em que intervém não sejam comprometidos.
Quando acordamos, verificamos que a urina é mais escura, mais concentrada, do que no resto do dia porque, durante a noite, a água foi-se perdendo com a transpiração e com o ar expirado. Como, durante a noite, não ingerimos alimentos nem bebidas, a água apenas sai e não entra. É, por isso, fundamental que o teor de água seja reposto assim que acordamos.
A água existe em todos os alimentos e bebidas e a quantidade que necessitamos tem a ver com o teor de água dos alimentos e bebidas que ingerimos. Por exemplo, um iogurte sólido tem menos água do que um copo de leite e o pão torrado menos do que o pão fresco. O melão tem 90% de água mas a banana cerca de 70% ou seja, se comermos uma banana precisaremos de ingerir maior quantidade de água do que se comermos uma fatia de melão. Mas não podemos ver as coisas de modo tão simplista porque, em boa verdade, tal como acontece com a ingestão de calorias, o que importa é que a água, que existe em maior ou menor quantidade em tudo o ingerimos, seja ingerida de modo a compensar as perdas.
Um dos indicadores que permite avaliar se estamos a beber a quantidade de água adequada é a cor da urina, ou melhor, a falta de cor. Assim, esta deverá ser praticamente incolor e sem cheiro ativo.
Não podemos esperar pela sede para beber água, uma vez que, quando as glândulas salivares são requisitadas para fornecer água ao organismo, já muitas outras estruturas ou sistemas foram afetados. O ideal é ingerir água ou outra bebida rica em água de modo a manter a urina o mais parecida possível com água, isto é, praticamente sem cheiro e sem cor. A sede é um sinal de alarme que nos obriga a beber água sempre que o teor de água no organismo sofreu uma baixa considerável ou sempre que há o aumento da concentração de alguma substância, como sal ou açúcar. Daqui se depreende que bebidas com açúcar não são boas para matar a sede. Também as bebidas alcoólicas contribuem para a desidratação, porque promovem a diurese, ou seja, a saída de água do organismo através da urina.
Hoje em dia, uma grande parte das pessoas prefere bebidas com sabor, que obviamente tendo água na sua constituição têm também calorias que contribuem para o excesso de peso, gás que pode contribuir para a flatulência e a dilatação do estômago e aditivos (corantes, aromatizantes, etc.) que, por serem recentes relativamente à existência humana, poderão não ser alheios (convicção minha) à crescente e absurda incidência de doenças oncológicas entre as populações.
E quem não gosta de água?
A água é um elemento tão importante e natural que é difícil não se gostar dela. No entanto, a indústria alimentar produz sabores artificiais e introduz corantes nas bebidas de modo que os consumidores as procurem sem consciencializar porque o fazem e criando mesmo uma espécie de adição ou vício (porque se trata de um mau hábito) a estas bebidas. Eu diria que só a água substitui a água... No entanto, não podemos fechar-nos numa redoma face à inúmera oferta de bebidas que diariamente nos tentam nas prateleiras dos supermercados, e o importante é que as pessoas aprendam a ler e a interpretar os rótulos para fazerem as suas escolhas conscientemente. Uma bebida que vai substituir a água deve ter um valor calórico de zero ou próximo de zero, mas se for para substituir um iogurte ou um copo de leite (e falamos apenas de calorias, não de outros nutrientes) poderá ter valor calórico equivalente. Se um iogurte tiver 50 quilocalorias poderá ser substituído caloricamente por um sumo de igual valor calórico.
Deixo aqui algumas sugestões de bebidas que "não engordam" e que poderiam, não fossem as desvantagens dos componentes que contêm, quase substituir a água:
Cerca de 70% do nosso peso corporal é água e uma descida acentuada do nível corporal pode resultar em desidratação que, se for grave, poderá ser fatal. Como se perde água permanentemente através da urina, fezes, transpiração e respiração, é importante beber em abundância para que todos os processos orgânicos em que intervém não sejam comprometidos.
Quando acordamos, verificamos que a urina é mais escura, mais concentrada, do que no resto do dia porque, durante a noite, a água foi-se perdendo com a transpiração e com o ar expirado. Como, durante a noite, não ingerimos alimentos nem bebidas, a água apenas sai e não entra. É, por isso, fundamental que o teor de água seja reposto assim que acordamos.
A água existe em todos os alimentos e bebidas e a quantidade que necessitamos tem a ver com o teor de água dos alimentos e bebidas que ingerimos. Por exemplo, um iogurte sólido tem menos água do que um copo de leite e o pão torrado menos do que o pão fresco. O melão tem 90% de água mas a banana cerca de 70% ou seja, se comermos uma banana precisaremos de ingerir maior quantidade de água do que se comermos uma fatia de melão. Mas não podemos ver as coisas de modo tão simplista porque, em boa verdade, tal como acontece com a ingestão de calorias, o que importa é que a água, que existe em maior ou menor quantidade em tudo o ingerimos, seja ingerida de modo a compensar as perdas.
Um dos indicadores que permite avaliar se estamos a beber a quantidade de água adequada é a cor da urina, ou melhor, a falta de cor. Assim, esta deverá ser praticamente incolor e sem cheiro ativo.
Não podemos esperar pela sede para beber água, uma vez que, quando as glândulas salivares são requisitadas para fornecer água ao organismo, já muitas outras estruturas ou sistemas foram afetados. O ideal é ingerir água ou outra bebida rica em água de modo a manter a urina o mais parecida possível com água, isto é, praticamente sem cheiro e sem cor. A sede é um sinal de alarme que nos obriga a beber água sempre que o teor de água no organismo sofreu uma baixa considerável ou sempre que há o aumento da concentração de alguma substância, como sal ou açúcar. Daqui se depreende que bebidas com açúcar não são boas para matar a sede. Também as bebidas alcoólicas contribuem para a desidratação, porque promovem a diurese, ou seja, a saída de água do organismo através da urina.
Hoje em dia, uma grande parte das pessoas prefere bebidas com sabor, que obviamente tendo água na sua constituição têm também calorias que contribuem para o excesso de peso, gás que pode contribuir para a flatulência e a dilatação do estômago e aditivos (corantes, aromatizantes, etc.) que, por serem recentes relativamente à existência humana, poderão não ser alheios (convicção minha) à crescente e absurda incidência de doenças oncológicas entre as populações.
E quem não gosta de água?
A água é um elemento tão importante e natural que é difícil não se gostar dela. No entanto, a indústria alimentar produz sabores artificiais e introduz corantes nas bebidas de modo que os consumidores as procurem sem consciencializar porque o fazem e criando mesmo uma espécie de adição ou vício (porque se trata de um mau hábito) a estas bebidas. Eu diria que só a água substitui a água... No entanto, não podemos fechar-nos numa redoma face à inúmera oferta de bebidas que diariamente nos tentam nas prateleiras dos supermercados, e o importante é que as pessoas aprendam a ler e a interpretar os rótulos para fazerem as suas escolhas conscientemente. Uma bebida que vai substituir a água deve ter um valor calórico de zero ou próximo de zero, mas se for para substituir um iogurte ou um copo de leite (e falamos apenas de calorias, não de outros nutrientes) poderá ter valor calórico equivalente. Se um iogurte tiver 50 quilocalorias poderá ser substituído caloricamente por um sumo de igual valor calórico.
Deixo aqui algumas sugestões de bebidas que "não engordam" e que poderiam, não fossem as desvantagens dos componentes que contêm, quase substituir a água:
BEBIDA
|
CALORIAS POR 100 ml
|
Lipton línea
|
1
|
Continente "Ice-tea light" (vários sabores)
|
2 a 4
|
Pleno "Chá preto Earl Grey e Limão"
|
1
|
Pleno "Tisanas Cidreira, Tília, Camomila e
Limão"
|
1
|
Formas Luso (todos os sabores)
|
1,8
|
Continente "Água gaseificada limão"
|
2
|
Frize Groselha
|
5
|
Frize Limão
|
4
|
Schweppes Soda Way
|
0
|
Cola light (várias marcas)
|
0
|
e-manga, laranja e cenoura
|
0,6
|
e-maçã
|
0,6
|
Mas, pela sua saúde, será sempre melhor preparar bebidas caseiras.
in: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=E1043BD431C074A1E0400A0AB8001F77&opsel=2&channelid
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Carne com conta, peso e medida
A carne é uma alimento benéfico na nossa alimentação uma vez que além de proteínas fundamentais para o crescimento, manutenção e reparação de células e tecidos, fornece ferro, zinco e vitaminas do complexo B. No entanto, carne em excesso, sobretudo as carnes vermelhas e os alimentos processados a partir desta, podem elevar o risco de morte prematura segundo um alargado estudo da Universidade de Harvard. Nas mais de 120 mil pessoas abrangidas por este estudo, esse risco aumentava cerca de 13% no caso das carnes vermelhas sem processamento (novilho, vaca, vitela, porco, borrego e cabrito) e até 20% nos derivados (salsichas, chouriços, salame, etc.).
O risco de morte associa-se a uma muito maior prevalência de doenças cardiovasculares resultante do elevado teor de gorduras saturadas que estes alimentos contêm, mas também a uma maior incidência de cancro, sobretudo do cólon e do pâncreas. O mesmo estudo refere que este risco pode ser grandemente diminuído se estes alimentos forem substituídos por carne de aves e peixe, com muito menor quantidade de gorduras saturadas e carcinogéneos como os nitritos existentes nos enchidos, e ainda mais quando a alimentação inclui cereais integrais e frutos secos (nozes e afins).
Sabe-se há muito que a alimentação mediterrânica é considerada a mais saudável do mundo e que a sua base é constituída por fruta, hortícolas, cereais e leguminosas, frutos frescos e secos, peixe, marisco e aves, azeite como gordura de eleição, e vinho em quantidade moderada -1 copo por dia para as mulheres e dois copos para os homens. Nesta dieta, a carne vermelha surge apenas dois ou três dias por mês.
Os portugueses usam e abusam da carne, comendo-a frequentemente duas vezes por dia, ou mais, se considerarmos os snacks onde entra o fiambre, o chouriço ou o salpicão como recheio do pão...
Uma vez que é um pouco irrealista passar do oitenta para o oito assim do pé para a mão, sugiro que não se ultrapasse os 500 g de carne por semana por pessoa. Não é difícil, tudo depende da forma como a confecionamos e apresentamos no prato. Senão vejamos:
Quantos gramas de carne imagina que estão neste prato?
O risco de morte associa-se a uma muito maior prevalência de doenças cardiovasculares resultante do elevado teor de gorduras saturadas que estes alimentos contêm, mas também a uma maior incidência de cancro, sobretudo do cólon e do pâncreas. O mesmo estudo refere que este risco pode ser grandemente diminuído se estes alimentos forem substituídos por carne de aves e peixe, com muito menor quantidade de gorduras saturadas e carcinogéneos como os nitritos existentes nos enchidos, e ainda mais quando a alimentação inclui cereais integrais e frutos secos (nozes e afins).
Sabe-se há muito que a alimentação mediterrânica é considerada a mais saudável do mundo e que a sua base é constituída por fruta, hortícolas, cereais e leguminosas, frutos frescos e secos, peixe, marisco e aves, azeite como gordura de eleição, e vinho em quantidade moderada -1 copo por dia para as mulheres e dois copos para os homens. Nesta dieta, a carne vermelha surge apenas dois ou três dias por mês.
Os portugueses usam e abusam da carne, comendo-a frequentemente duas vezes por dia, ou mais, se considerarmos os snacks onde entra o fiambre, o chouriço ou o salpicão como recheio do pão...
Uma vez que é um pouco irrealista passar do oitenta para o oito assim do pé para a mão, sugiro que não se ultrapasse os 500 g de carne por semana por pessoa. Não é difícil, tudo depende da forma como a confecionamos e apresentamos no prato. Senão vejamos:
Quantos gramas de carne imagina que estão neste prato?
Pus esta questão no Facebook e as repostas foram múltiplas e variadas mas quase sempre muito acima dos 100 g.
Na realidade, estas cinco fatias pesam 65 g.
É claro que cortadas finamente, mas o que é importante é que parece muita e isso conta sobretudo para quem gosta de ver os pratos cheios. Portanto, uma maneira de comer menor quantidade é prepará-la do modo que se coma pouca, embora parecendo muita, tirando partido do seu sabor. Um esparguete à bolonhesa, em que se juntou cogumelos, courgete ou alho-francês à carne terá muito sabor a carne, mas 60-70 g chegarão para o conseguir. Uma "jardineira" que inclua, além da batata, nabo, cenoura, ervilhas ou outros legumes poderá ter muito sabor e não ultrapassar essa gramagem de carne por pessoa. E muitos mais pratos poderão substituir os exorbitantes bifes do tamanho do prato. Quem costuma comer em restaurantes italianos sabe que um prato de carpaccio - carne laminada como fiambre, temperada com azeite, raspas de queijo parmesão e acompanhada por folhas de rúcula - apesar de cheio, não contém mais do que 50 gramas de carne.
Um outro importante estudo do Hospital das Clínicas de Barcelona corroborou os benefícios da alimentação mediterrânica na redução drástica - em cerca de 30% - de enfartes do miocárdio e derrames cerebrais.
Este estudo, que envolveu cerca de 8000 pessoas, acabou por ser interrompido, quando se percebeu que, depois de terem chegado a essas conclusões, seria falta de ética impedir que as pessoas fizessem uma alimentação mediterrânica saudável só porque eram cobaias humanas...
Em resumo, a carne é um alimento importante na alimentação humana mas é possível e desejável que a comamos muito menos vezes e em muito menor quantidade. É sempre bom lembrar que há mais relatos de doença pelo seu consumo excessivo do que pela sua ausência na alimentação, e o que é necessário é combinar de forma adequada as proteínas e o ferro existente nos alimentos de origem vegetal.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Fígado gordo – como melhorar?
A esteatose hepática, vulgarmente conhecida por fígado gordo, é a acumulação de gordura no fígado que pode levar à sua inflamação ou, em casos mais graves, à cicatrização de tecido hepático, comparável ao que acontece na cirrose. As pessoas portadoras desta alteração normalmente não ingerem álcool ou fazem-no em pequenas quantidades. É uma situação bastante comum, que geralmente não apresenta sintomas e que, quando se manifestam, se caracterizam por fadiga, perda de peso ou dor no lado superior direito do abdómen e que, se não for tratada atempadamente, poderá conduzir à falência hepática. No entanto, em grande parte dos casos, a acumulação de gordura no fígado que surge pela incapacidade de este a metabolizar corretamente não acarreta complicações. Contudo, em algumas situações, esse excesso de gordura pode condicionar uma inflamação do órgão e impedir o seu normal funcionamento ou mesmo propiciar o aparecimento de cirrose não alcoólica essa, sim, com graves consequências.
Os fatores mais suscetíveis de provocar acumulação de gordura no fígado são níveis elevados de colesterol ou triglicerídeos no sangue, obesidade, diabetes tipo 2 ou alguns fármacos, entre outros.
Uma vez que a esteatose hepática pode ser assintomática, é importante estar atento a alguns sinais como amarelecimento da pele ou dos olhos, dor ou inchaço abdominal depois de comer, ou inchaço das pernas. Quando consultar o médico, relatar-lhe estes factos bem como a medicação que eventualmente possa estar a tomar.
Entre os fatores que o paciente pode controlar, inclui-se a perda de peso, uma alimentação saudável e exercício físico, aliás, todos eles essenciais a uma vida com qualidade quer se tenha ou não fígado gordo.
O que pode fazer?
Para perder peso, multiplique o seu peso por 30 se tem uma atividade muito sedentária ou por 35 se tem uma atividade moderada e subtraia 500 ou 1000 a esse valor. Obterá o valor calórico do plano alimentar que deve fazer para perder 0,5 kg (no caso das 500 cal) ou 1 kg (se subtraiu 1000 cal) por semana, o que representa 2-4 kg por mês.
Exemplo para 80 kg e atividade moderada: 80 x 35 = 2800. Se fizer uma dieta com 1800 calorias perderá cerca de 4 kg por mês, se escolher um plano com 2300 calorias perderá cerca de 2 kg por mês.
Nota: Não foram colocadas unidades para além das calorias, para facilitar o cálculo a todas as pessoas. Os planos alimentares podem encontrar-se nos livros "Peso, uma questão de peso" ou "Dietas sem dieta"
A dieta, além de excluir bebidas alcoólicas, deve ser rica em fibras o que significa abundante em frutas, hortícolas e cereais integrais, gorduras saudáveis como a do azeite, dos frutos secos (nozes e similares) e do peixe, e evitar alimentos processados e de pastelaria, laticínios gordos, carnes vermelhas e enchidos, açúcar e produtos açucarados. As gorduras, mesmo as saudáveis, devem ingerir-se em pequenas quantidades, o que significa 6-10 colheres de chá de azeite por dia conforme o peso.
Uma caminhada diária de 20-30 minutos por dia (10-15 minutos para cada lado...), mexer-se mais durante o dia subindo ou descendo escadas em vez de utilizar o elevador, não utilizar o carro em distâncias pequenas, etc., representam pequenos gestos mas com grande impacto na saúde.
Os fatores mais suscetíveis de provocar acumulação de gordura no fígado são níveis elevados de colesterol ou triglicerídeos no sangue, obesidade, diabetes tipo 2 ou alguns fármacos, entre outros.
Uma vez que a esteatose hepática pode ser assintomática, é importante estar atento a alguns sinais como amarelecimento da pele ou dos olhos, dor ou inchaço abdominal depois de comer, ou inchaço das pernas. Quando consultar o médico, relatar-lhe estes factos bem como a medicação que eventualmente possa estar a tomar.
Entre os fatores que o paciente pode controlar, inclui-se a perda de peso, uma alimentação saudável e exercício físico, aliás, todos eles essenciais a uma vida com qualidade quer se tenha ou não fígado gordo.
O que pode fazer?
Para perder peso, multiplique o seu peso por 30 se tem uma atividade muito sedentária ou por 35 se tem uma atividade moderada e subtraia 500 ou 1000 a esse valor. Obterá o valor calórico do plano alimentar que deve fazer para perder 0,5 kg (no caso das 500 cal) ou 1 kg (se subtraiu 1000 cal) por semana, o que representa 2-4 kg por mês.
Exemplo para 80 kg e atividade moderada: 80 x 35 = 2800. Se fizer uma dieta com 1800 calorias perderá cerca de 4 kg por mês, se escolher um plano com 2300 calorias perderá cerca de 2 kg por mês.
Nota: Não foram colocadas unidades para além das calorias, para facilitar o cálculo a todas as pessoas. Os planos alimentares podem encontrar-se nos livros "Peso, uma questão de peso" ou "Dietas sem dieta"
A dieta, além de excluir bebidas alcoólicas, deve ser rica em fibras o que significa abundante em frutas, hortícolas e cereais integrais, gorduras saudáveis como a do azeite, dos frutos secos (nozes e similares) e do peixe, e evitar alimentos processados e de pastelaria, laticínios gordos, carnes vermelhas e enchidos, açúcar e produtos açucarados. As gorduras, mesmo as saudáveis, devem ingerir-se em pequenas quantidades, o que significa 6-10 colheres de chá de azeite por dia conforme o peso.
Uma caminhada diária de 20-30 minutos por dia (10-15 minutos para cada lado...), mexer-se mais durante o dia subindo ou descendo escadas em vez de utilizar o elevador, não utilizar o carro em distâncias pequenas, etc., representam pequenos gestos mas com grande impacto na saúde.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A história verdadeira de um Paulinho gordinho
Era uma vez um Paulinho gordinho, que andava no 5.º ano e,
como não gostava de se ver ao espelho, também não gostava de ir às aulas de
Educação Física. E quem falta a estas, falta também às outras, acabando por
reprovar por faltas, apesar das inúmeras cartas e dos muitos telefonemas da
diretora de turma para a mãe, que raramente ia à escola falar com ela e que
sempre se mostrou pouco firme com o filho no que se referia a obrigá-lo a ir às
aulas. Achava ela, provavelmente, que, se ele não se sentia lá bem, mais valia
ficar em casa.
E foi assim que o Paulo entrou numa nova turma de 5.º ano, mais gordinho, mais altinho e com uma diferença de tamanho (e largura) e idade relativamente aos colegas ainda maior do que tinha acontecido no ano anterior. O fim lógico da história parece ser que o Paulinho se sentiu cada vez pior, faltou cada vez mais e reprovou de novo. Enganam-se. A história tem um final feliz. Vamos ao que se passou.
No novo ano escolar as faltas começaram a aparecer. Diretora de turma, psicóloga escolar e professora de Educação Física definiram estratégias de intervenção articuladas, situação que, posteriormente, se alargou também ao restante Conselho de Turma (CT). Enquanto a psicóloga acompanhava o Paulo em atendimentos individuais, colaborou também com a diretora de turma e o CT no apoio à sua integração na turma, através de atividades desenvolvidas em Formação Cívica e de uma atenção particular da professora de Educação Física a ele nas suas aulas. Foi assim que o Paulo, que até já conhecia alguns alunos da turma, se sentiu bem recebido e apreciado, independentemente da sua imagem corporal. Deu-se a feliz coincidência de, a meio desse ano letivo, a médica de família o ter mandado para consultas de nutricionismo, que, com a sua força de vontade no seguimento da dieta prescrita e na prática diária do exercício físico recomendado, deram resultados rápidos e evidentes (emagrecimento), com a consequente elevação da sua autoestima, reforçada pelos elogios de professores e colegas.
Mas nem tudo correu bem nesta história. Houve ocasiões, nesse 5.º ano e no 6.º ano que se lhe seguiu, em que o Paulinho voltou a faltar às aulas e a mãe a não aparecer com facilidade às chamadas da diretora de turma. Quando vinha, mostrava-se pouco firme, como no ano em que o filho tinha reprovado. E foi assim que a diretora de turma começou a pedir comprovativos dos motivos apresentados para as justificações das faltas e a injustificá-las quando eles não eram apresentados. A esta estratégia adicionou-se a colaboração do Presidente do Conselho Executivo (CE) que se prontificou a atender a encarregada de educação e o aluno com a diretora de turma, para tentar responsabilizá-los mais pela assiduidade. Com estes altos e baixos, o Paulo lá passou para o 6.º ano.
Era uma vez um Paulinho que, no 6.º ano, já não era tão gordinho e estava cada vez mais "elegante". Apesar de já se sentir completamente bem na turma e de continuar a receber todos os apoios do ano anterior, de vez em quando lá faltava e os 'de vez em quando' começaram a aumentar. Nem a injustificação das faltas estava a parecer impedir o retrocesso. Conversas da diretora de turma e da psicóloga com ele deram a conhecer uma família desestruturada, com um pai desempregado e agressivo e uma mãe que trabalhava excessivamente, ficando os mimos do Paulo repartidos por ela (num tempo escasso) e pelos avós maternos (que viviam longe). Paulo gostava de se refugiar na casa deles e, por isso, faltava às aulas, a ponto de, mais uma vez, estar em riscos de perder o ano por faltas. Nova reunião da diretora de turma e do presidente do CE com a mãe e o aluno serviu para lhes mostrar a retenção à vista, mas também a possibilidade de passagem, se o Conselho Pedagógico o aprovasse, após um parecer favorável do CT. O sonho do Paulo era tirar um curso profissional. Ele queria ser eletricista. Nesta conversa, os problemas familiares do Paulo foram tidos em conta e foram propostas algumas possibilidades de apoio pela escola. Foi mostrado, a mãe e filho, que a passagem de ano precisava agora de ser uma conquista, que implicava a ausência de qualquer falta injustificada. Mãe e filho choraram, mas sentiram-se apoiados e perceberam que a dureza da aplicação da lei, com a injustificação das faltas, apenas visava ajudar o Paulo a alcançar o seu sonho.
E a história acabou bem. Não tem o fim tradicional dos contos de fadas, mas tem um fim adequado a uma história de um menino/adolescente, com uma vida difícil, que lutou e foi apoiado na sua luta, chegou ao fim do ano com sucesso e, no ano seguinte, conseguiu ingressar no curso profissional pretendido. Logo que o conseguiu, telefonou para a escola a dar a boa nova à diretora de turma e à psicóloga.
Moral da história:
1. Por trás dos problemas manifestados por cada aluno, há uma história de vida que é necessário conhecer para se definir uma estratégia de intervenção adequada e eficaz.
2. É importante mobilizar os recursos existentes e adequados a cada caso.
3. É fundamental tentar conseguir o apoio e a colaboração da família, que, muitas vezes, como neste caso, implica a formação dos próprios pais.
4. É importante fazer uso dos instrumentos legais existentes e adequados a cada situação, não de uma maneira cega, mas rigorosa, pedagógica e intencional.
Sabemos, por experiência, que nem todas as histórias têm este final feliz. Mas vale a pena lutar por ele e nunca desistir.
Nota Final:
Esta história tem alguns anos. De lá para cá, tudo ficou mais difícil nas escolas. Ao Conselho Executivo, sucedeu-se a figura do Diretor; o Estatuto do Aluno já foi modificado; a Formação Cívica deixou de existir; cada diretor de turma depara-se com muito mais Paulinhos, uns gordinhos e outros magrinhos, mas todos com problemas (sociais e de outras naturezas) crescentes, a somar-se a um número maior de turmas e, consequentemente, a um número também maior de alunos, fazendo escassear o tempo que pode dedicar a cada um. Apesar das dificuldades com que os professores e as escolas se batem, reforço a mensagem contida nos quatro pontos da moral da história, embora condicionada pela situação presente.
E foi assim que o Paulo entrou numa nova turma de 5.º ano, mais gordinho, mais altinho e com uma diferença de tamanho (e largura) e idade relativamente aos colegas ainda maior do que tinha acontecido no ano anterior. O fim lógico da história parece ser que o Paulinho se sentiu cada vez pior, faltou cada vez mais e reprovou de novo. Enganam-se. A história tem um final feliz. Vamos ao que se passou.
No novo ano escolar as faltas começaram a aparecer. Diretora de turma, psicóloga escolar e professora de Educação Física definiram estratégias de intervenção articuladas, situação que, posteriormente, se alargou também ao restante Conselho de Turma (CT). Enquanto a psicóloga acompanhava o Paulo em atendimentos individuais, colaborou também com a diretora de turma e o CT no apoio à sua integração na turma, através de atividades desenvolvidas em Formação Cívica e de uma atenção particular da professora de Educação Física a ele nas suas aulas. Foi assim que o Paulo, que até já conhecia alguns alunos da turma, se sentiu bem recebido e apreciado, independentemente da sua imagem corporal. Deu-se a feliz coincidência de, a meio desse ano letivo, a médica de família o ter mandado para consultas de nutricionismo, que, com a sua força de vontade no seguimento da dieta prescrita e na prática diária do exercício físico recomendado, deram resultados rápidos e evidentes (emagrecimento), com a consequente elevação da sua autoestima, reforçada pelos elogios de professores e colegas.
Mas nem tudo correu bem nesta história. Houve ocasiões, nesse 5.º ano e no 6.º ano que se lhe seguiu, em que o Paulinho voltou a faltar às aulas e a mãe a não aparecer com facilidade às chamadas da diretora de turma. Quando vinha, mostrava-se pouco firme, como no ano em que o filho tinha reprovado. E foi assim que a diretora de turma começou a pedir comprovativos dos motivos apresentados para as justificações das faltas e a injustificá-las quando eles não eram apresentados. A esta estratégia adicionou-se a colaboração do Presidente do Conselho Executivo (CE) que se prontificou a atender a encarregada de educação e o aluno com a diretora de turma, para tentar responsabilizá-los mais pela assiduidade. Com estes altos e baixos, o Paulo lá passou para o 6.º ano.
Era uma vez um Paulinho que, no 6.º ano, já não era tão gordinho e estava cada vez mais "elegante". Apesar de já se sentir completamente bem na turma e de continuar a receber todos os apoios do ano anterior, de vez em quando lá faltava e os 'de vez em quando' começaram a aumentar. Nem a injustificação das faltas estava a parecer impedir o retrocesso. Conversas da diretora de turma e da psicóloga com ele deram a conhecer uma família desestruturada, com um pai desempregado e agressivo e uma mãe que trabalhava excessivamente, ficando os mimos do Paulo repartidos por ela (num tempo escasso) e pelos avós maternos (que viviam longe). Paulo gostava de se refugiar na casa deles e, por isso, faltava às aulas, a ponto de, mais uma vez, estar em riscos de perder o ano por faltas. Nova reunião da diretora de turma e do presidente do CE com a mãe e o aluno serviu para lhes mostrar a retenção à vista, mas também a possibilidade de passagem, se o Conselho Pedagógico o aprovasse, após um parecer favorável do CT. O sonho do Paulo era tirar um curso profissional. Ele queria ser eletricista. Nesta conversa, os problemas familiares do Paulo foram tidos em conta e foram propostas algumas possibilidades de apoio pela escola. Foi mostrado, a mãe e filho, que a passagem de ano precisava agora de ser uma conquista, que implicava a ausência de qualquer falta injustificada. Mãe e filho choraram, mas sentiram-se apoiados e perceberam que a dureza da aplicação da lei, com a injustificação das faltas, apenas visava ajudar o Paulo a alcançar o seu sonho.
E a história acabou bem. Não tem o fim tradicional dos contos de fadas, mas tem um fim adequado a uma história de um menino/adolescente, com uma vida difícil, que lutou e foi apoiado na sua luta, chegou ao fim do ano com sucesso e, no ano seguinte, conseguiu ingressar no curso profissional pretendido. Logo que o conseguiu, telefonou para a escola a dar a boa nova à diretora de turma e à psicóloga.
Moral da história:
1. Por trás dos problemas manifestados por cada aluno, há uma história de vida que é necessário conhecer para se definir uma estratégia de intervenção adequada e eficaz.
2. É importante mobilizar os recursos existentes e adequados a cada caso.
3. É fundamental tentar conseguir o apoio e a colaboração da família, que, muitas vezes, como neste caso, implica a formação dos próprios pais.
4. É importante fazer uso dos instrumentos legais existentes e adequados a cada situação, não de uma maneira cega, mas rigorosa, pedagógica e intencional.
Sabemos, por experiência, que nem todas as histórias têm este final feliz. Mas vale a pena lutar por ele e nunca desistir.
Nota Final:
Esta história tem alguns anos. De lá para cá, tudo ficou mais difícil nas escolas. Ao Conselho Executivo, sucedeu-se a figura do Diretor; o Estatuto do Aluno já foi modificado; a Formação Cívica deixou de existir; cada diretor de turma depara-se com muito mais Paulinhos, uns gordinhos e outros magrinhos, mas todos com problemas (sociais e de outras naturezas) crescentes, a somar-se a um número maior de turmas e, consequentemente, a um número também maior de alunos, fazendo escassear o tempo que pode dedicar a cada um. Apesar das dificuldades com que os professores e as escolas se batem, reforço a mensagem contida nos quatro pontos da moral da história, embora condicionada pela situação presente.
Por: ARMANDA ZENHAS Mestre em Educação, área de
especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do
Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos
Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do
Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 na Escola Básica de Leça da
Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Colesterol - como diminuir
Retirado do blogue idoso do futuro um artigo de Mário Espiga de Macedo, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose.
O excesso de colesterol - proteínas gordas - no sangue
provoca aterosclerose. E este envelhecimento prematuro dos vasos
sanguíneos pode levar a enfartes ou acidentes vasculares cerebrais. Faça uma
lista com os bons e os maus alimentos.
Mário Espiga de Macedo, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), diz que «uma dieta diversificada», baseada nos alimentos 'com luz verde' ilustrados nesta página, ajuda a corrigir esta situação. A lista para a dieta foi criada a partir das suas contribuições, bem como das do especialista em macrobiótica e colaborador do SOL Francisco Varatojo e da nutricionista Sara Fernandes.
Apesar de existirem os alimentos proibidos, mas o presidente da SPA é contra fundamentalismos: «Só em situações extremas se deve cortar com as carnes vermelhas».
Para quem sofre deste problema, o ideal é ter as análises em dia. E, se o colesterol 'mau' (LDL) ultrapassar os 200, fazer uma dieta equilibrada e praticar exercício físico.
Açúcar
«O consumo excessivo de açúcar contribui para o aumento de depósitos adiposos e de colesterol no organismo» , diz a nutricionista Sara Fernandes.
Marisco
Lagosta, camarão, percebes ou amêijoas estão na lista dos alimentos com alto teor de colesterol.
Gordura animal
Os produtos de charcutaria são ricos em gorduras saturadas que aumentam o colesterol. A gordura dos cozinhados, como o molho dos bifes e do frango assado com pele, por exemplo, tem o mesmo efeito.
Margarina
Croissants, bolachas, pastéis, folhados e todos os alimentos com gorduras hidrogenadas «têm um efeito no organismo muito semelhante às gorduras saturadas», diz a nutricionista Sara Fernandes.
Carne vermelha Os três especialistas contactados pelo SOL elegem a carne de vaca e de vitela como alimentos com um alto teor de colesterol. Já o porco é, segundo Mário Espiga de Macedo, «uma carne magra» que pode ser consumida «desde que se retire a gordura».
Alimentos refinados O pão branco, o arroz convencional e as massas refinadas «contribuem para o aumento de depósitos adiposos e de colesterol no organismo», defende Sara Fernandes.
Queijo
Dos produtos lácteos - que deve consumir-se magros ou meio-gordos -, os queijos são os mais ricos em gordura animal, fonte de colesterol.
Ovos
Estudos recentes apontam o ovo como um alimento com baixo teor de colesterol. No entanto, segundo Mário Espiga de Macedo, «é prematuro defender esta teoria». A regra é consumir apenas dois/três ovos por semana.
Nabos
Rábano, nabo ou rabanetes ralados. Francisco Varatojo explica que todos «ajudam a digerir e a eliminar os excessos provocados pelo abuso de produtos animais».
Hortaliças
Agriões, nabiças e couve portuguesa contêm fibras e fitoesteróis que regulam o colesterol. Mário Espiga de Macedo acrescenta a cebola e o alho, «que a tradição popular diz serem alimentos que evitam a subida do colesterol e cujos benefícios são estudados por nutricionistas».
Cogumelos
Em particular o cogumelo shitake. Os cogumelos são ricos em fibras e gorduras não saturadas. Um dos compostos dos shitake, o lentinan, ajuda a baixar os níveis de colesterol.
Hidratos de Carbono
As leguminosas e as batatas são alimentos saudáveis que não elevam o colesterol e podem ser consumidos livremente. Em excesso, engordam.
Arroz Integral
Reduz o colesterol, «porque contém orizanol, uma substância presente no farelo do arroz, e fibras», diz a nutricionista Sara Fernandes.
Cevada
Em particular a cevada perolada. É rica em fibras solúveis, nomeadamente o beta-glucan que está cientificamente provado reduzir os níveis de gordura do sangue.
Fruta
Toda a fruta evita a subida do colesterol, de acordo com o presidente da SPA. Mas os frutos mais doces, como os figos e as uvas, podem levar «à subida dos triglicerídeos» e consequente aumento do colesterol, se consumidos em excesso.
Chá verde
Os polifenóis desta planta evitam que o LDL oxide, «o que danifica e acelera o endurecimento das artérias», diz a nutricionista Sara Fernandes.
Algas
Com propriedades anti-colesterol, «ajudam o organismo a lidar com excesso de poluição ambiental e contaminação interna», explica Francisco Varatojo.
Fonte "Jornal o Sol"
Mário Espiga de Macedo, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), diz que «uma dieta diversificada», baseada nos alimentos 'com luz verde' ilustrados nesta página, ajuda a corrigir esta situação. A lista para a dieta foi criada a partir das suas contribuições, bem como das do especialista em macrobiótica e colaborador do SOL Francisco Varatojo e da nutricionista Sara Fernandes.
Apesar de existirem os alimentos proibidos, mas o presidente da SPA é contra fundamentalismos: «Só em situações extremas se deve cortar com as carnes vermelhas».
Para quem sofre deste problema, o ideal é ter as análises em dia. E, se o colesterol 'mau' (LDL) ultrapassar os 200, fazer uma dieta equilibrada e praticar exercício físico.
Açúcar
«O consumo excessivo de açúcar contribui para o aumento de depósitos adiposos e de colesterol no organismo» , diz a nutricionista Sara Fernandes.
Marisco
Lagosta, camarão, percebes ou amêijoas estão na lista dos alimentos com alto teor de colesterol.
Gordura animal
Os produtos de charcutaria são ricos em gorduras saturadas que aumentam o colesterol. A gordura dos cozinhados, como o molho dos bifes e do frango assado com pele, por exemplo, tem o mesmo efeito.
Margarina
Croissants, bolachas, pastéis, folhados e todos os alimentos com gorduras hidrogenadas «têm um efeito no organismo muito semelhante às gorduras saturadas», diz a nutricionista Sara Fernandes.
Carne vermelha Os três especialistas contactados pelo SOL elegem a carne de vaca e de vitela como alimentos com um alto teor de colesterol. Já o porco é, segundo Mário Espiga de Macedo, «uma carne magra» que pode ser consumida «desde que se retire a gordura».
Alimentos refinados O pão branco, o arroz convencional e as massas refinadas «contribuem para o aumento de depósitos adiposos e de colesterol no organismo», defende Sara Fernandes.
Queijo
Dos produtos lácteos - que deve consumir-se magros ou meio-gordos -, os queijos são os mais ricos em gordura animal, fonte de colesterol.
Ovos
Estudos recentes apontam o ovo como um alimento com baixo teor de colesterol. No entanto, segundo Mário Espiga de Macedo, «é prematuro defender esta teoria». A regra é consumir apenas dois/três ovos por semana.
Nabos
Rábano, nabo ou rabanetes ralados. Francisco Varatojo explica que todos «ajudam a digerir e a eliminar os excessos provocados pelo abuso de produtos animais».
Hortaliças
Agriões, nabiças e couve portuguesa contêm fibras e fitoesteróis que regulam o colesterol. Mário Espiga de Macedo acrescenta a cebola e o alho, «que a tradição popular diz serem alimentos que evitam a subida do colesterol e cujos benefícios são estudados por nutricionistas».
Cogumelos
Em particular o cogumelo shitake. Os cogumelos são ricos em fibras e gorduras não saturadas. Um dos compostos dos shitake, o lentinan, ajuda a baixar os níveis de colesterol.
Hidratos de Carbono
As leguminosas e as batatas são alimentos saudáveis que não elevam o colesterol e podem ser consumidos livremente. Em excesso, engordam.
Arroz Integral
Reduz o colesterol, «porque contém orizanol, uma substância presente no farelo do arroz, e fibras», diz a nutricionista Sara Fernandes.
Cevada
Em particular a cevada perolada. É rica em fibras solúveis, nomeadamente o beta-glucan que está cientificamente provado reduzir os níveis de gordura do sangue.
Fruta
Toda a fruta evita a subida do colesterol, de acordo com o presidente da SPA. Mas os frutos mais doces, como os figos e as uvas, podem levar «à subida dos triglicerídeos» e consequente aumento do colesterol, se consumidos em excesso.
Chá verde
Os polifenóis desta planta evitam que o LDL oxide, «o que danifica e acelera o endurecimento das artérias», diz a nutricionista Sara Fernandes.
Algas
Com propriedades anti-colesterol, «ajudam o organismo a lidar com excesso de poluição ambiental e contaminação interna», explica Francisco Varatojo.
Fonte "Jornal o Sol"
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Linha da Frente de 05 Jul 2012 - RTP Play - RTP Quilos de saúde
Linha da Frente de 05 Jul 2012 - RTP Play - RTP
Uma excelente reportagem que sintetiza os problemas da nossa sociedade.
Esta reportagem está de acordo com a nossa linha de pensamento e com o que preconizamos.
Uma excelente reportagem que sintetiza os problemas da nossa sociedade.
Esta reportagem está de acordo com a nossa linha de pensamento e com o que preconizamos.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
O que mudou e pode mudar na alimentação das famílias?
Uma maneira de mudar os hábitos, sobretudo das crianças,
seria envolvê-las na preparação das refeições, mas isso não acontece com
frequência. Acontece (ou acontecia...) na escola, sobretudo nas escolas
promotoras da saúde, mas em casa, pouco.
Por falta de tempo ou de conhecimento para cozinhar rápido,
muitas famílias cozinham pouco em casa, e a perda desse hábito é também a causa
de se fazer uma alimentação pouco saudável, ou seja, a vida apressada que hoje
se leva e o pouco tempo para cozinhar, levam a que haja pouca imaginação e
vontade para criar pratos, recorrendo-se muitas vezes a fast food e
pratos pré-cozinhados que nem sempre são uma opção muito saudável.
Uma maneira de mudar os hábitos, sobretudo das crianças, seria envolvê-las na preparação das refeições, mas isso não acontece com frequência. Acontece, (ou acontecia...) na escola, sobretudo nas escolas promotoras da saúde, mas em casa, pouco. No entanto, e ao contrário do que seria desejável, as crianças e jovens têm uma participação importante nas compras de casa! Os pais compram muitas vezes sob pressão dos filhos que, por sua vez, sofrem a pressão da publicidade. E, como sabemos, a maioria da publicidade dirigida a crianças não promove propriamente alimentos saudáveis.
Quais as vantagens das crianças aprenderem a cozinhar desde cedo?
Por um lado, envolvê-las em tarefas que lhes deem algum papel de entreajuda familiar. Por outro lado, ao serem incluídas em tarefas que decorrem no interior da cozinha começam, mesmo que involuntariamente, a ser "chamadas" pela cor e pelo cheiro dos alimentos podendo mais facilmente despertar-lhes a vontade de aprender a cozinhar e de experimentar novos pratos e sabores. Além disso, dá-lhes uma maior independência e autonomia dos pais. Muitas mães ainda não compreenderam isto e depois, quando os filhos entram numa faculdade fora do local em que habitam, preparam-lhes previamente as refeições para uma semana para que eles não recorram à comida "industrial pré-cozinhada que, como se sabe, é muitas vezes pouco saudável e nutritiva.
Cozinhar pode ser pretexto para falar sobre os vários ingredientes e alimentos e aspetos ligados aos alimentos e nutrientes saudáveis
No fundo trata-se de os pais cozinharem e comerem de forma saudável para que os seus filhos o façam também. Isso implica falar de todos os alimentos incluídos na "Roda dos Alimentos" e de nenhum em particular. Todos são importantes e o segredo está na variedade. Por isso, incentivar a provar é uma das chaves do sucesso para que gostem e comam de tudo. É necessário transmitir a mensagem de que não há alimentos tão bons que se possam consumir isoladamente nem tão maus que não se possam comer nunca. Uma alimentação que inclua apenas dois ou três alimentos considerados saudáveis deixa de ser saudável porque se corre o risco de carências por omissão de todos os outros, pela monotonia dos nutrientes ingeridos.
É importante ter em conta a idade da criança
Obviamente é importante considerar a idade da criança quando se lhe vai atribuir uma tarefa na cozinha. Cortar com facas, mexer no fogão, sentá-las em bancos altos para preparar alimentos, etc, são gestos que têm de ser pensados para cada situação. Convém também não descurar a higiene pessoal e dos alimentos sempre que se vai cozinhar. Incluir as crianças na preparação das refeições pode ser também uma maneira de lhes pedir sugestões para a confeção de alimentos de que gostem menos. É importante que elas sejam consultadas e que se façam pratos de acordo com o seu gosto e não só pelo gosto do pai... No caso dos adolescentes, programas de jovens "chefs" como o Jamie Oliver, que tem uma atitude de irreverência que "toca" os jovens mas também com grande capacidade de transmitir conceitos simples e práticos, podem ter um grande impacto na modificação dos seus gostos alimentares e na sua atração pela cozinha.
Estou convencida de que estabelecer uma relação "íntima" com os alimentos, permitindo, tocar, mexer e experimentar vários alimentos e ingredientes, fazendo do ato de comer uma estimulação de todos os sentidos e não só do gosto, poderá ajudar a aderir a uma alimentação mais variada. Um prato pode ser muito saboroso, mas se não for atrativo ao olhar, pode nem sequer chegar a ser provado. Também o tato é extraordinariamente importante, daí não ser a mesma coisa comer ostras que se retiram cerimoniosamente da concha ou retirá-las com um palito de um frasco de conserva... Um bom odor e um prato colorido terão muito mais impacto sobre o apetite. A presença de frutas ou legumes coloridos é muito importante para a estimulação visual quer de crianças quer de outras pessoas em que o apetite está diminuído, como nos idosos, por exemplo. E se estes são os alimentos com mais cor e mais ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, são também aqueles que menos engordam.
Com a preocupação com a obesidade infantil, vários programas de saúde alimentar têm sido desenvolvidos nas escolas. A complementaridade com a experiência em casa seria fundamental para alterações de hábitos porque muitos pais, além de terem hábitos alimentares incorretos que praticaram ao longo de muitos anos, não fazem ideia de como fazer uma alimentação saudável uma vez que nunca o aprenderam. E, nesse caso, os próprios filhos poderão ser um importante fator de mudança nos hábitos dos pais e de casa. Por outro lado, quando os pais são informados, fazer uma alimentação equilibrada em casa corrobora aquilo que aprenderam na escola. Daí, estes programas escolares e as escolas promotoras da saúde serem tão importantes. Podem ser a chave para a mudança dos hábitos alimentares de toda a família, desde que as crianças comecem a ser envolvidas na preparação das refeições. Até há pouco tempo, a escola era tudo menos um exemplo de boas práticas e isso não dava credibilidade ao que por lá se ensinava...
Uma maneira de mudar os hábitos, sobretudo das crianças, seria envolvê-las na preparação das refeições, mas isso não acontece com frequência. Acontece, (ou acontecia...) na escola, sobretudo nas escolas promotoras da saúde, mas em casa, pouco. No entanto, e ao contrário do que seria desejável, as crianças e jovens têm uma participação importante nas compras de casa! Os pais compram muitas vezes sob pressão dos filhos que, por sua vez, sofrem a pressão da publicidade. E, como sabemos, a maioria da publicidade dirigida a crianças não promove propriamente alimentos saudáveis.
Quais as vantagens das crianças aprenderem a cozinhar desde cedo?
Por um lado, envolvê-las em tarefas que lhes deem algum papel de entreajuda familiar. Por outro lado, ao serem incluídas em tarefas que decorrem no interior da cozinha começam, mesmo que involuntariamente, a ser "chamadas" pela cor e pelo cheiro dos alimentos podendo mais facilmente despertar-lhes a vontade de aprender a cozinhar e de experimentar novos pratos e sabores. Além disso, dá-lhes uma maior independência e autonomia dos pais. Muitas mães ainda não compreenderam isto e depois, quando os filhos entram numa faculdade fora do local em que habitam, preparam-lhes previamente as refeições para uma semana para que eles não recorram à comida "industrial pré-cozinhada que, como se sabe, é muitas vezes pouco saudável e nutritiva.
Cozinhar pode ser pretexto para falar sobre os vários ingredientes e alimentos e aspetos ligados aos alimentos e nutrientes saudáveis
No fundo trata-se de os pais cozinharem e comerem de forma saudável para que os seus filhos o façam também. Isso implica falar de todos os alimentos incluídos na "Roda dos Alimentos" e de nenhum em particular. Todos são importantes e o segredo está na variedade. Por isso, incentivar a provar é uma das chaves do sucesso para que gostem e comam de tudo. É necessário transmitir a mensagem de que não há alimentos tão bons que se possam consumir isoladamente nem tão maus que não se possam comer nunca. Uma alimentação que inclua apenas dois ou três alimentos considerados saudáveis deixa de ser saudável porque se corre o risco de carências por omissão de todos os outros, pela monotonia dos nutrientes ingeridos.
É importante ter em conta a idade da criança
Obviamente é importante considerar a idade da criança quando se lhe vai atribuir uma tarefa na cozinha. Cortar com facas, mexer no fogão, sentá-las em bancos altos para preparar alimentos, etc, são gestos que têm de ser pensados para cada situação. Convém também não descurar a higiene pessoal e dos alimentos sempre que se vai cozinhar. Incluir as crianças na preparação das refeições pode ser também uma maneira de lhes pedir sugestões para a confeção de alimentos de que gostem menos. É importante que elas sejam consultadas e que se façam pratos de acordo com o seu gosto e não só pelo gosto do pai... No caso dos adolescentes, programas de jovens "chefs" como o Jamie Oliver, que tem uma atitude de irreverência que "toca" os jovens mas também com grande capacidade de transmitir conceitos simples e práticos, podem ter um grande impacto na modificação dos seus gostos alimentares e na sua atração pela cozinha.
Estou convencida de que estabelecer uma relação "íntima" com os alimentos, permitindo, tocar, mexer e experimentar vários alimentos e ingredientes, fazendo do ato de comer uma estimulação de todos os sentidos e não só do gosto, poderá ajudar a aderir a uma alimentação mais variada. Um prato pode ser muito saboroso, mas se não for atrativo ao olhar, pode nem sequer chegar a ser provado. Também o tato é extraordinariamente importante, daí não ser a mesma coisa comer ostras que se retiram cerimoniosamente da concha ou retirá-las com um palito de um frasco de conserva... Um bom odor e um prato colorido terão muito mais impacto sobre o apetite. A presença de frutas ou legumes coloridos é muito importante para a estimulação visual quer de crianças quer de outras pessoas em que o apetite está diminuído, como nos idosos, por exemplo. E se estes são os alimentos com mais cor e mais ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, são também aqueles que menos engordam.
Com a preocupação com a obesidade infantil, vários programas de saúde alimentar têm sido desenvolvidos nas escolas. A complementaridade com a experiência em casa seria fundamental para alterações de hábitos porque muitos pais, além de terem hábitos alimentares incorretos que praticaram ao longo de muitos anos, não fazem ideia de como fazer uma alimentação saudável uma vez que nunca o aprenderam. E, nesse caso, os próprios filhos poderão ser um importante fator de mudança nos hábitos dos pais e de casa. Por outro lado, quando os pais são informados, fazer uma alimentação equilibrada em casa corrobora aquilo que aprenderam na escola. Daí, estes programas escolares e as escolas promotoras da saúde serem tão importantes. Podem ser a chave para a mudança dos hábitos alimentares de toda a família, desde que as crianças comecem a ser envolvidas na preparação das refeições. Até há pouco tempo, a escola era tudo menos um exemplo de boas práticas e isso não dava credibilidade ao que por lá se ensinava...
In: http://www.educare.pt/educare/Detail.aspx?contentid=BFAA9E884755CEE6E0400A0AB8002B34&channelid=EA94578BA2CC9D42B018D56C7463A20F&schemaid&opsel=2
quinta-feira, 17 de maio de 2012
O que fazer quando se tem o sangue gordo
Evitar o excesso de peso ou emagrecer até atingir um peso
saudável e ter uma vida ativa, isto é, combater o sedentarismo através de
exercício físico regular, é um dos fatores que mais contribuem para o
tratamento da hiperlipidemia.
Quais as causas de hiperlipidemia?
Pode ter uma causa endógena, ou seja, é o próprio organismo que produz as gorduras em quantidades indesejadas, ou então exógena, e por ela é responsável uma alimentação incorreta ou de excessos.
Como as gorduras não são solúveis em água, constituinte principal do sangue, para serem conduzidas através dele têm que ter transportadores especiais designados lipoproteínas. É o que normalmente conhecemos como bom e mau colesterol. O "mau" colesterol, LDL, ou lipoproteínas de baixa densidade, acumula-se nas paredes dos vasos sanguíneos e é responsável por acidentes cardiovasculares. O "bom" colesterol, HDL ou lipoproteínas de alta densidade, pelo contrário, captura o colesterol que existe nas artérias e transporta-o para o fígado, sendo assim um espécie de "desentupidor de canos", passe a grosseria do termo. Um combinação de triglicerídeos elevados e HDL baixo constitui também um significativo fator de risco cardiovascular.
É importante realçar que as análises não tratam!
Vejo com frequência pacientes que, apesar de terem estes parâmetros analíticos alterados, não seguem as recomendações alimentares nem a medicação para reverter a situação, mas que se preocupam excessivamente em fazer análises com frequência para ver se a situação alterou apesar de nada terem feito para o conseguir.
Como tratar?
Evitar o excesso de peso ou emagrecer até atingir um peso saudável e ter uma vida ativa, isto é, combater o sedentarismo através de exercício físico regular, é um dos fatores que mais contribuem para o tratamento da hiperlipidemia. Por exemplo, 30 minutos de caminhada diários que poderão ser repartidos por dois períodos de 15 minutos, de manhã e à tarde.
Quer a causa seja genética quer seja alimentar, deve prestar-se especial atenção àquilo que se come e bebe. Gorduras de origem animal (dos laticínios e da carne, ou gorduras hidrogenadas de origem vegetal, usadas habitualmente em produtos de pastelaria, bolachas e alimentos embalados) não devem ser consumidos com frequência nem em quantidade. A gema de ovo e alguns mariscos são também ricos em colesterol pelo que devem ser incluídos na alimentação tendo em conta todos os outros alimentos que nesse dia dela fazem parte. Também vísceras e miudezas devem ser evitados. No caso específico de triglicerídeos elevados (hipertrigliceridemia), as bebidas alcoólicas são também desaconselhadas, tanto como os excessos alimentares, dado que estes podem ser influenciados pela ingestão excessiva de gorduras, mas também de hidratos de carbono (açúcares), proteínas ou álcool.
Para resumir, diria que a alimentação equilibrada que se recomenda a qualquer pessoa que deseja ter um peso e uma vida saudáveis aplica-se da mesma forma às pessoas que têm sangue gordo.
in: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=B35E6F557820B5B9E0400A0AB80025E5&channelid=B35E6F557820B5B9E0400A0AB80025E5&schemaid=&opsel=2
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Para quem quer engordar
Para que a minoria tenha peso
As pessoas excessivamente magras, ou que se consideram como tal, podem sofrer tanto como as obesas. Muitas vezes não fisicamente, mas psicologicamente.
Muito se fala sobre excesso de peso e obesidade e muitos são os conselhos e dicas que circulam por todos os meios de informação no sentido de melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas afetadas por esse problema. Também nós, nutricionistas, o fazemos, porque nas nossas consultas são maioritariamente essas pessoas que nos aparecem a pedir ajuda. Os magros também aparecem mas em número muitíssimo reduzido. Por isso se fala tão pouco deles...
Mas a verdade é que as pessoas excessivamente magras ou que se consideram como tal podem sofrer tanto como as obesas. Muitas vezes não fisicamente, mas psicologicamente.
Num mundo em que a imagem tudo domina, é natural que assim seja. Por isso, este artigo é para elas.
É fácil engordar?
Quem tem excesso de peso seguramente dirá que sim. Mas outros, incluindo os nutricionistas, dirão que essa tarefa nem sempre é fácil. Em boa verdade, só engordamos com o comemos, ou seja, só engordamos se comermos mais do que aquilo que gastamos. Por isso poderemos dizer de uma forma simplista que basta reduzir as calorias diárias para se conseguir perder peso. Nos magros o contrário não é exatamente verdade. Embora teoricamente bastasse aumentar o valor calórico diário para se engordar, muitas vezes há barreiras orgânicas que impedem que isso resulte. Os mais comuns, e refiro-me apenas a situações não patológicas, são a falta de apetite, um metabolismo muito ativo ou um balanço energético negativo, isto é, uma ingestão de alimentos insuficiente em relação à atividade profissional e física praticada.
Seja como for, há um princípio básico para quem quer engordar que é o mesmo para qualquer outra pessoa. O aumento de peso deve ser feito à custa de uma dieta (nesta caso para engordar!) equilibrada e saudável. Isto é o mesmo que dizer que há que olhar a meios para alcançar fins ou que não se deve comer doses excessivas de batatas fritas ou chocolates apenas para engordar. Porque isso traria graves implicações de saúde para quem, provavelmente, apenas sofria com a sua imagem corporal...
O que deve fazer-se
- Se é uma perda de peso recente ou o peso é manifestamente baixo, é importante consultar o médico para avaliar as suas causas que podem ser físicas ou psíquicas;
- Deve saber-se se o paciente costuma desparasitar-se anualmente e, se o não faz, será essa a primeira coisa a fazer;
- Após a desparasitação, poderá tomar um complexo polivitamínico para suprir eventuais carências provocadas, quer pela ingestão insuficiente ou inadequada de alimentos e nutrientes, quer pela presença de parasitas;
- Deverá avaliar-se, através de um inquérito à ingestão alimentar e à atividade desenvolvida pela pessoa ao longo dos dias, se a ingestão de alimentos é caloricamente correta;
- Quando há falta de apetite ou o estômago apenas comporta pequenas quantidades de alimentos, recomenda-se a ingestão de pequenas porções de alimentos com maior frequência, por exemplo de duas em duas horas;
- O aumento da quantidade de alimentos deve ser progressivo para não provocar "indisposições" de estômago;
- A dieta deve ser sempre baseada na Roda dos Alimentos de modo a assegurar a ingestão necessária de todos os nutrientes, podendo a partir daí aumentar-se a partir de alimentos saudáveis com grande densidade calórica, como nozes, amendoins, azeite ou chocolate, por exemplo;
- Poderá aconselhar-se uma diminuição da atividade física, para duas ou três vezes por semana.
E com isto espero poder ter contribuído para um pouco mais de felicidade!
in: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=AFE1FF4B4F1C4B2EE0400A0AB8003C4A&channelid=AFE1FF4B4F1C4B2EE0400A0AB8003C4A&schemaid=&opsel=2
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Baixa de açúcar e “quebra” de tensão
Paula Veloso*
Chama-se baixa de açúcar ou hipoglicemia quando os valores da glicose (açúcar) no sangue são iguais ou inferiores a 60 mg/dl. Embora na maioria dos casos não se tenha à mão um medidor da glicose sanguínea, é importante saber avaliar os seus sintomas para que a situação se possa corrigir rapidamente.
A hipoglicemia não é uma doença mas pode ser o resultado de uma doença ou de hábitos de vida errados e pouco saudáveis que poderá melhorar.
in: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=AFE1FF4B33504B2EE0400A0AB8003C4A&channelid=AFE1FF4B33504B2EE0400A0AB8003C4A&schemaid=&opsel=2
* PAULA VELOSO Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta e Dieta sem Castigo.
Chama-se baixa de açúcar ou hipoglicemia quando os valores da glicose (açúcar) no sangue são iguais ou inferiores a 60 mg/dl. Embora na maioria dos casos não se tenha à mão um medidor da glicose sanguínea, é importante saber avaliar os seus sintomas para que a situação se possa corrigir rapidamente.
Alguns pacientes relatam-me que por vezes sofrem uma quebra de tensão, associando-a a sintomas como tremuras, fraqueza, tonturas ou sensação de desmaio. No entanto, na generalidade dos casos, esses sintomas resultam de uma baixa de açúcar e não de uma quebra de tensão, embora em certos casos a primeira possa provocar a segunda.
Chama-se baixa de açúcar ou hipoglicemia quando os valores da glicose (açúcar) no sangue são iguais ou inferiores a 60 mg/dl. Embora na maioria dos casos não se tenha à mão um medidor da glicose sanguínea, é importante saber avaliar os seus sintomas para que a situação se possa corrigir rapidamente. Há situações mais ou menos graves e podem manifestar-se quer em doentes diabéticos quer em pessoas quem não sofrem desta patologia.
Uma baixa de açúcar ligeira origina alguns sintomas desagradáveis como suores, fome, tremuras, ou falta de forças, mas uma baixa de açúcar grave e prolongada pode provocar coma e até a morte se não for tratada atempadamente, uma vez que a glicose é o alimento primordial do cérebro e se esta não lhe for facultada com a devida regularidade poderá conduzir a alterações cerebrais graves.
Os casos mais graves verificam-se habitualmente em doentes diabéticos e nos insulinodependentes e estão habitualmente relacionados com uma inadequada ingestão alimentar ou exercício físico excessivo relativamente à dose habitual de insulina. Constato com frequência, que nos diabéticos não dependentes de insulina a preocupação é tomarem os hipoglicemiantes orais (comprimidos para baixar o teor de açúcar no sangue) não se preocupando, muitas vezes, com o que comem e com os horários das refeições. Se tomam comprimidos para baixar o açúcar no sangue e este, porque não foi feita uma refeição no tempo certo, já estava baixo, baixará ainda mais, podendo surgir sintomas de hipoglicemia. Por isso, sobretudo nos doentes diabéticos, quer sejam ou não dependentes de insulina, a alimentação é um ponto fundamental no seu tratamento e não pode, em caso algum, ser menosprezada ou negligenciada. Infelizmente constato que, não raras vezes, os doentes são medicados para esta doença, mas muito pouco informados no que respeita ao número, horas e composição das suas refeições.
Nas outras pessoas a quem não foi diagnosticada diabetes, sintomas semelhantes podem surgir quando estão muitas horas sem comer. Embora o organismo tenha mecanismos de compensação para colocar a glicose no sangue a partir de reservas que existem no fígado, a verdade é que as reservas hepáticas deste nutriente não duram sempre e nem sempre o sistema funciona na perfeição. Por isso, o melhor remédio está em prevenir esses episódios.
Como fazê-lo?
Tal como se deve recomendar aos doentes diabéticos, todas as pessoas deverão comer respeitando intervalos entre as refeições que não devem ser superiores a três horas e meia, ingerindo as quantidades de alimentos estritamente necessárias à manutenção de um peso saudável e em que os hidratos de carbono de absorção lenta contribuam com pelo menos 50% do total calórico. Por isso, mesmo quando se pretende emagrecer, os hidratos de carbono são obrigatórios!
O que fazer se as hipoglicemias são frequentes?
Quando se sofre pontualmente de hipoglicemias porque houve uma desatenção ou um qualquer impedimento para comer no intervalo desejado, dois pacotes de açúcar ou um sumo de fruta natural ou de garrafa que contenha açúcares de absorção rápida deverão solucionar o problema acabando com os sintomas. Se fizer uma refeição os sintomas desaparecerão também, contudo esse processo será muito mais demorado.
Se sofre de hipoglicemia com frequência ou a seguir às refeições, deverá consultar o seu médico para despistar possíveis causas para o problema. Se o fizer, poderá ajudar o clínico a fazer melhor o diagnóstico se lhe levar anotadas algumas informações dos seus hábitos e sintomas:
- Faça um diário alimentar durante pelo menos um mês, registando tudo o que comeu e bebeu e a que horas o fez;
- Se pratica exercício físico ou o faz esporadicamente, anote-o também, especificando o tipo de exercício e a sua duração;
- Registe nesse mesmo diário o que sentiu (sintomas) e a que hora do dia;
- Se tiver alguma outra ideia do que os pode ter provocado, registe-a também;
- Escreva todos os medicamentos que estiver a tomar, se for caso disso.
in: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=AFE1FF4B33504B2EE0400A0AB8003C4A&channelid=AFE1FF4B33504B2EE0400A0AB8003C4A&schemaid=&opsel=2
* PAULA VELOSO Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta e Dieta sem Castigo.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
"Viciados em açúcar"
Paula Veloso* | 01-02-2012
Há mesmo alguns estudos com ratinhos que sugerem que quando estes animais ingerem grandes quantidades de açúcar os seus cérebros podem sofrer alterações semelhantes às que experimentam as pessoas que dependem de heroína ou cocaína.
O termo poderá parecer exagerado mas, para algumas pessoas, a apetência por doces é tão grande que torna incontrolável a ingestão dos mesmos. Ou seja, mesmo que pense que isso lhe poderá trazer ou agravar problemas de peso ou de saúde e que a sua ingestão tenha como consequência um inevitável sentimento de culpa, é, mais do que um capricho, uma necessidade premente de ingerir doces e por isso muitas vezes comparada com a dependência de drogas. No fundo, ao ter consciência perfeita de que os doces, ou o excesso de açúcar, não devem ser consumidos com frequência pelas consequências que podem ter a nível da saúde, mas não conseguir de todo evitá-lo, será, de certo, uma forma de dependência - a dependência de doces...
Há mesmo alguns estudos com ratinhos que sugerem que quando estes animais ingerem grandes quantidades de açúcar os seus cérebros podem sofrer alterações semelhantes às que experimentam as pessoas que dependem de heroína ou cocaína.
Por isso, a dependência por doces não se define apenas por se pensar frequentemente em comê-los, mas antes por ser uma espécie de compulsão, uma necessidade premente de satisfazer esse desejo rapidamente.
Ao longo de vinte e um anos de prática clínica continuo a constatar que não existe um padrão uniforme de comportamento no que ao consumo de doces diz respeito. Para alguns, basta uma pequena quantidade de açúcar (género rebuçado), para acalmar o desejo. Para outros, é prioritário comer uma vez por dia um bolo ou um pastel de nata como companhia do café.
Outros ainda, dizem-se muito gulosos mas aguentam-se bem até ao fim de semana onde, aí sim, já não resistem a uma fatia de bolo, de pudim, ou congénere. Há ainda os que não resistem ao chocolate, mas enquanto que algumas pessoas ficam satisfeitas com um ou dois quadradinhos, outras acabam por comer o chocolate inteiro quando começam. Há ainda muita gente, incluindo crianças, que não consegue beber água porque se habituou a ingerir refrigerantes e não dispensa o sabor doce nas bebidas, seja às refeições ou fora delas.
O açúcar não é proibido desde que não ultrapasse 10% das calorias diárias, mas é importante saber que não chega contar as colheres de açúcar que temperam o leite, o café ou o chá. Uma lata de 300 ml de refrigerante, com excepção das variantes light, pode conter o equivalente a 5 ou 6 pacotes de açúcar. Um pacotinho de leite com chocolate de 200 ml pode conter cerca de 4 pacotes de açúcar. Ele existe também em muitos preparados alimentares desde molhos, a sopas, enlatados, etc.É por isso muito fácil ultrapassar as quantidades recomendadas sem nos darmos conta disso. Para os viciados em açúcar, o exagero é diário e praticado ao longo dos anos e pode provocar danos graves na saúde de quem o consome.
Consequências do consumo excessivo de açúcar
Embora não sendo um responsável direto pelo aparecimento da diabetes, o aumento de açúcar no sangue obriga a uma libertação de insulina para que o seu valor volte rapidamente ao normal e, sobretudo para quem tem antecedentes diabéticos, a sobrecarga sobre o pâncreas poderá conduzir a uma resistência à insulina, com sintomas semelhantes à diabetes ou mesmo ao aparecimento de diabetes do tipo 2. Devido a esta resposta rápida insulínica para controlar os níveis de glicose no sangue, os alimentos muito açucarados poderão provocar uma sensação de fome mais rápida do que os que têm um teor baixo desta substância.
Uma vez que fornece apenas calorias vazias, ou seja, não fornece ao organismo qualquer outro nutriente, não poderá substituir outros alimentos que contêm na sua constituição proteínas, vitaminas, minerais, hidratos de carbono ou gordura e que são fundamentais à formação e manutenção das estruturas orgânicas. Por isso, a sua utilização será quase sempre para além do necessário e implicará, pelo excesso calórico que provoca, uma aumento gradual do peso.
O consumo excessivo de açúcar está também associado a uma diminuição do sistema imunitário que o associa a doenças infeciosas ou ao aumento dos triglicerídeos no sangue que, tal qual o colesterol, são responsáveis por um maior risco de doenças cardiovasculares.
Conselho: se não prescinde de algum alimento doce no seu dia-a-dia, consulte um nutricionista para que este o possa incluir na sua alimentação diária sem que isso lhe traga graves consequências para o peso e para a saúde. Porque a saúde mental também conta e muito…
* PAULA VELOSO Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta e Dieta sem Castigo
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Rotulagem nutricional
Todos os Valores Diários de Referência (VDR) que irá encontrar na nossa página são baseados em níveis típicos de energia e nutrientes, que a maioria das pessoas é aconselhada a ingerir diariamente, no âmbito de uma dieta saudável. As necessidades nutricionais individuais variam com o género, idade, peso e nível de actividade física, entre outros factores.
Como tal, os VDR não são estabelecidos para o indivíduo, mas fornecem referências sobre a contribuição dos macronutrientes.
A animação pode ser consultada no site original: http://www.fipa.pt/outos/conteudo4.php?tema=9
O que são os VDR?
São níveis típicos de energia e nutrientes que a maioria das pessoas é aconselhada a ingerir diariamente, no âmbito de uma dieta saudável.
As necessidades nutricionais individuais variam com o género, idade, peso e nível de atividade física, entre outros fatores.
Como tal, os VDR não são estabelecidos para o indivíduo, mas fornecem referências sobre a contribuição dos macronutrientes.
Os VDR podem ser utilizados para complementar a informação nutricional, fornecendo uma diretriz para ajudar o Consumidor a compreender o valor aproximado de calorias, proteínas, hidratos de carbonos, gorduras, gorduras saturadas, fibra, sódio e açúcares que este pode consumir diariamente, como parte de uma dieta saudável.
Porque precisamos de VDR?
O esquema com VDR permite, à primeira vista, obter informação objetiva que permite ao Consumidor fazer uma escolha ao nível nutricional informada.
Este esquema permite ajudar o Consumidor a compreender e avaliar tanto um género alimentício individual bem como o seu lugar numa dieta saudável. Permite também a este compor uma dieta equilibrada, adaptada às suas necessidades individuais e de acordo com o seu estilo de vida.
Como são calculados os VDR?
Os VDR são baseados em recomendações nutricionais do projeto Eurodiet.
O projeto Eurodiet é composto por um painel de peritos científicos e políticos, que foi criado em 1998 pela Comissão Europeia, com o objetivo de reunir informação científica relativa a nutrição, a dietas e a estilos de vida saudáveis.
Porque as necessidades calóricas variam com o género e idade, o Eurodiet não fez qualquer recomendação específica relativamente à energia.
Contudo, nutricionistas e dietistas comummente aceitam o valor de 2000kcal como o valor médio necessário para um adulto, moderadamente ativo, do sexo feminino.
Daí ser este o valor utilizado pela FIPA na frente da embalagem.
Porque não rótulos baseados no sistema “Traffic-lights”?
Existem diferenças de fundo entre os VDR e o sistema “Traffic-lights” (STL), nome porque é conhecido o sistema de codificação nutricional de rótulos através da cor.
Os VDR fornecem factos nutricionais objetivos acerca dos nutrientes e energia/calorias por porção/dose e mostra qual a sua contribuição para a dieta.
O STL é uma avaliação subjetiva, se 100g do género alimentício contém uma quantidade elevada, média ou baixa de cada nutriente e não fornece ao Consumidor as informações necessárias para a escolha de uma dieta equilibrada.
Esta avaliação é sempre igual, independentemente da quantidade da porção/dose ou da dieta do indivíduo.
Esta diferença é fundamental fazendo com que seja impossível juntar os dois esquemas num sistema “híbrido”.
Os VDR ajudam o Consumidor a fazer uma dieta equilibrada
A informação fornecida pelos VDR ajuda o Consumidor a verificar qual a contribuição de cada combinação de géneros alimentícios para as suas necessidades diárias.
O esquema de cores não consegue proporcionar este tipo de informação. Se alguém baseasse a sua dieta apenas em géneros alimentícios com a codificação verde, a sua dieta seria seguramente pobre em energia/calorias e outros nutrientes, incluindo ferro, cálcio e algumas vitaminas.
Os VDR são objetivos;
O STL julga classificar os géneros alimentícios com “verde-amarelo-vermelho” é enganador: faz-se um julgamento geral sobre os géneros alimentícios e sugere-se que existem boas e más escolhas e que esta regra se que pode generalizar. Ora, este não é o caso.
Todas as pessoas têm necessidades nutricionais diferentes.
A rotulagem com VDR fornece factos nutricionais sobre o género alimentício, tornando possível que o Consumidor, julgue por ele próprio, se uma determinada quantidade de alimento é apropriada para ele ou não.
Acreditamos que a chave para tornar o Consumidor mais informado consiste em incentivá-lo a olhar para o que está “dentro” do alimento, que vai comprar, de forma a enquadrar o alimento no contexto de toda a sua dieta. Informar é a chave!
Ninguém come sempre porções/doses de 100g
A maioria de alimentos não é ingerida em porções/doses de 100g, mas este é o tamanho da porção/dose utilizada pelo esquema STL.
Por exemplo, uma porção/dose normal de ketchup de 20g contém 5% do VDR de açúcar: uma percentagem relativamente pequena, quando comparada com a quantidade recomendada para um adulto médio.
Mas se nos basearmos numa porção de 100g, então os valores de açúcar presentes neste alimento iriam codificá-lo com a cor vermelho.
A codificação com cores mascara uma opção saudável
A codificação com cores não ajuda o Consumidor a aceder por géneros alimentícios, no contexto de uma dieta diária e não tem um valor educativo.
Para além disso, é uma abordagem demasiado simplista que dificulta a escolha do consumidor se este tem de considerar que opção tem menos de um determinado ingrediente.
Por exemplo, o conteúdo em sal de duas refeições prontas pode diferir significativamente mas, no entanto, podem terem ambas a cor amarela. O que torna impossível para o Consumidor saber qual delas tem menos sal.
Os VDR, por outro lado, indicariam ao Consumidor que uma tem 33% do VDR do sal e a outra 21%.
No sistema STL o Consumidor é encorajado a pensar nas cores “vermelho”, “amarelo” e “verde” como “traffic lights”, isto é, “parar”, “hesitar” e “ir”, mas não o instiga a perceber porquê.
Se um condutor tivesse que enfrentar simultaneamente um sinal vermelho, amarelo e verde não saberia como proceder.
Da mesma forma, se um Consumidor vir um género alimentício rotulado com vermelho, amarelo e verde para diferentes nutrientes, não fica claro se deve ou não consumir o alimento.
Os VDR tornam possível que cada um de nós saiba como proceder.
Para aplicação das recomendações da FIPA devem ter em conta os seguintes princípios:
Para que toda a informação seja consistente com os requisitos legais, os VDR devem estar de acordo com o Decreto-Lei nº 167/2004, de 07 de Julho.
Os VDR devem ser referentes a adultos médios, com idade superior a 18 anos e com um peso normal.
O valor do VDR deve ser arredondado de forma a ajudar o Consumidor e evitar uma aparente imprecisão.
Os valores dos VDR são baseados nos objetivos estabelecidos pelo Eurodiet.
Nutriente | VDR |
Energia/Calorias | 2000kcal |
Proteínas | 50g |
Hidratos de carbono | 270g |
Lípidos/Gorduras | 70g |
Lípidos Saturados/Gorduras saturadas | 20g |
Fibra | 25g |
Sódio (sal) | 2,4 g (6g) |
Açúcares | 90g |
Gorduras polinsaturadas totais | 16g |
Ácidos gordos Ómega 6 | 14g |
Ácidos gordos Ómega 3 totais | 2,2g |
Ácidos gordos Ómega 3 EPA/DHA | 0,2g |
Ácidos gordos Ómega 3 ALA | 2,0g |
Gorduras monoinsaturadas | 34g |
FAQ:
O que são os VDR?
Os Valores Diários de Referência (VDR) são níveis típicos de energia e de nutrientes que a maioria das pessoas é aconselhada a ingerir diariamente, no âmbito de uma dieta saudável.
As necessidades nutricionais individuais variam com o género, idade, peso e nível de atividade física, entre outros fatores.
Como tal, os VDR não são estabelecidos para o indivíduo, mas fornecem referências sobre a contribuição dos macronutrientes.
Os VDR podem ser utilizados para complementar a informação nutricional, fornecendo uma diretriz para ajudar o Consumidor a compreender aproximadamente quantas calorias, proteínas, hidratos de carbonos, gorduras, gorduras saturadas, fibra, sódio e açúcares pode consumir diariamente como parte de uma dieta saudável.
Qual é a diferença entre DDR e VDR?
DDR – Doses Diárias Recomendadas são doses de vitaminas e minerais estimadas para ir de encontro ou superar as necessidades de um grupo de adultos, em vez do indivíduo. Estas fazem parte da Diretiva relativa à rotulagem nutricional dos géneros alimentícios (Diretiva 90/496/CE) e refletem a variedade de dietas na Europa.
Para que nutrientes existem VDR?
Os VDR existem para Energia/Calorias, Proteínas, Hidratos de Carbono, Lípidos/Gorduras, Lípidos/Gorduras Saturadas, Fibras, Açúcares e Sódio/Sal.
Como foram os VDR calculados?
Os valores dos VDR são baseados nos objetivos estabelecidos pelo Eurodiet.
Nutriente | Valor |
Energia/Calorias | - |
Hidratos de carbono | >55%E |
Lípidos/Gorduras | <30%E |
Lípidos Saturados/Gorduras saturadas | <10%E |
Fibra | 25g/dia |
Sódio/Sal | 2,4g/dia / 6g/dia |
Proteínas | por diferença |
Qual o objetivo do uso dos VDR?
Os VDR ajudam o Consumidor a entender a informação nutricional existente nos rótulos.
Traduzem os conhecimentos científicos para linguagem comum, fornecem orientações para ajudar o Consumidor a entender a informação nutricional existente nos rótulos num contexto de uma dieta saudável.
Onde podem ser utilizados os VDR?
Os VDR (%) podem aparecer na embalagem, pontos de venda, brochuras, literatura sobre o produto, publicidade, artigos em revistas e websites.
É obrigatório colocar os VDR nas embalagens?
Não. Contudo muitos operadores optaram por fornecer informações sobre os VDR voluntariamente.
Sempre que exista VDR no rótulo tem que haver igualmente indicação da quantidade de nutrientes por porção/dose do género alimentício.
Desta maneira, os indivíduos podem avaliar a quantidade de alimento que estão a ingerir, em comparação com a quantidade sugerida como dose diária.
Porque são os VDR úteis para o Consumidor?
Permite ao Consumidor ver de forma expedita a quantidade, em gramas, de determinado nutriente na porção/dose do género alimentício.
O Consumidor consegue saber que % do total de VDR está contida na porção/dose do género alimentício, fornecendo-lhes a informação necessária para selecionar produtos que melhor se enquadrem nas suas necessidades diárias de nutrientes.
Como funciona a rotulagem de VDR na parte da frente da embalagem?
A rotulagem de VDR na parte da frente da embalagem mostra que % de calorias/energia, proteínas, hidratos de carbonos, lípidos/gorduras, lípidos saturados/gorduras saturadas, fibra, sódio/sal e açúcares podem ser consumidos diariamente, como parte de uma dieta saudável.
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