A obesidade e outras formas de hiperalimentação foram responsáveis pela morte de 210 pessoas em 2013 e, no mesmo ano, 71 pessoas morreram devido a desnutrição e outras deficiências nutricionais, revelam dados da Direção Geral da Saúde (DGS).
De acordo com o relatório “Portugal – Alimentação Saudável em Números 2015”, que é apresentado esta quinta-feira em Lisboa, registou-se um “forte crescimento do número de utentes com registo de obesidade e excesso de peso (embora desigual por região) que poderá ser devido a diferentes fatores, entre eles uma maior atenção dos profissionais de saúde a este fenómeno”.
O documento indica que, em 2014, existiam 620.769 utentes com registo de obesidade. No mesmo ano, eram 497.167 os utentes com registo de excesso de peso.
De acordo com a Direção Geral da Saúde (DGS), “a questão das desigualdades sociais e o seu impacto no acesso e consumo adequado de alimentos e consequentemente no estado de saúde dos indivíduos parece assumir uma importância ainda maior no atual contexto de crise económica que se faz sentir na Europa e em particular em Portugal”.
“É de esperar que a atual situação de instabilidade económica, caracterizada pelas elevadas taxas de desemprego, aumentos consideráveis ao nível da carga fiscal com impacto também no que se refere ao preço dos alimentos e a redução de salários e dos apoios sociais prestados pelo Estado, tenha um impacto considerável nos índices de pobreza e desigualdades sociais em Portugal”, lê-se no sumário da publicação.
O mesmo relatório refere que “Portugal mantém-se como um dos países europeus com maior desigualdade na distribuição de rendimento e taxas mais elevadas de risco de pobreza monetária, tendo nas últimas décadas a taxa de pobreza mantido um nível elevado e relativamente estável”.
“É expectável que um período marcado por crescentes desigualdades na distribuição de rendimento e por elevadas taxas de pobreza tenha um significativo impacto no consumo alimentar e estado de saúde da população portuguesa, podendo estar comprometida a garantia da segurança alimentar (food security) para um número elevado de agregados familiares portugueses, isto é, a garantia do acesso a alimentos em quantidade suficientes, seguros e nutricionalmente adequados”, prossegue o documento.
Os autores do documento consideram que, tendo em conta que “a obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável”, o “ investimento na prevenção e promoção de hábitos alimentares saudáveis é decisivo quando mais de 50% dos adultos Portugueses sofre de excesso de peso”.
“A promoção de hábitos alimentares saudáveis exige trabalho concertado com outros setores a médio prazo. Os serviços de saúde necessitam de se preparar melhor para lidar de forma integrada com outros setores da sociedade na prevenção da pandemia da obesidade e na promoção de hábitos alimentares saudáveis”, lê-se nas recomendações que constam do relatório.
A DGS sublinha que “a alimentação de má qualidade afeta com maior intensidade crianças, idosos e os grupos socioeconomicamente mais vulneráveis da nossa população, aumentando as desigualdades em saúde. O investimento na promoção de hábitos alimentares deverá permitir reduzir desigualdades em saúde”.
No entanto, este organismo refere que “a estabilização do crescimento da obesidade e do aumento do peso corporal, medido através do Índice de Massa Corporal, registado pelas crianças portuguesas nos últimos quatro anos é um dos marcos assinalados pelo relatório”.
“Ainda assim, a proporção de crianças com excesso de peso em Portugal, acima da média europeia, e a sua relação com as desigualdades sociais, mantêm-se no topo das preocupações do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável”, indica a DGS.
Entre os vários dados que constam do documento, a DGS destaca o facto de “os hábitos alimentares inadequados dos portugueses constituírem o primeiro fator de risco de perda de anos de vida”.
“Estudos internacionais apontam a má alimentação como responsável por 11,96% do total de anos de vida prematuramente perdidos pelas mulheres portuguesas, percentagem que sobe para 15,27% no sexo masculino. A obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável”, lê-se no sumário da publicação.
In, em 11/04/2016: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/relatorio/obesidade-matou-210-pessoas-em-2013
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segunda-feira, 11 de abril de 2016
Obesidade no mundo "mais do que duplicou" nos últimos 40 anos
Um estudo sobre obesidade envolvendo 20 milhões de adultos de 186 países concluiu que nos últimos 40 anos a obesidade entre os homens triplicou e que nas mulheres mais do que duplicou.
A investigação, acabada de publicar na revista The Lancet, revela que entre 1975 e 2014 a obesidade entre os homens triplicou (de cerca de 3%, em 1975, para quase 11%, em 2014) e que nas mulheres mais do que duplicou (de mais de 6% para perto de 15%), anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).
Conduzida pelo Imperial College London, a pesquisa, que contou com a colaboração da investigadora Cristina Padez, do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, “envolveu perto de 20 milhões de adultos de 186 países”.
Os dados relativos a Portugal são “compostos por uma amostra de mais de 820 mil jovens adultos de todo o país, com idades compreendidas entre os 18 e 20 anos, de vários estratos sociais, que participaram nas inspeções militares, no período 1985-2000”, refere a especialista do CIAS, citada pela UC numa nota hoje divulgada.
Mais de um em cada dez homens e uma em cada sete mulheres, em todo o mundo, estão agora obesos”, concluiu o estudo.
Em quatro décadas, a obesidade entre os homens triplicou, de 3,2% em 1975 para 10,8% em 2014” e “nas mulheres, mais do que duplicou, passando de 6,4% em 1975 para 14,9% em 2014”.
Isto é, em 2014, “266 milhões de homens e 375 milhões de mulheres em todo o mundo eram obesos, significando também que a população mundial tornou-se mais pesada em cerca de 1,5 quilogramas em cada década subsequente desde 1975”, explicita a UC.
Além disso, 2,3% dos homens e 5% de mulheres de todo o mundo têm a “classificação de obesidade grave, colocando-os em risco acrescido para o desenvolvimento de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e vários tipos de cancro”.
O estudo, que envolveu a Organização Mundial de Saúde (OMS), previu igualmente as tendências globais de evolução da obesidade, indicando que, em 2025, 18% dos homens e 21% das mulheres sofrerão de obesidade, acrescenta a UC.
A pesquisa “mostra um cenário tremendamente assustador, indicando que vai ser praticamente impossível atingir a meta global estabelecida pela OMS no sentido de até 2025 estabilizar os valores da obesidade nos níveis de 2010”, salienta Cristina Padez.
Tem de haver uma política global de combate à obesidade por parte dos governos e não centrada apenas nos indivíduos”, adverte a investigadora.
A obesidade é “um dos grandes fatores de risco para um conjunto vasto de patologias, com custos sociais e económicos brutais para os países”, observa a especialista da UC em obesidade.
In, em 11/04/2016: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/investigacao/obesidade-no-mundo-mais-do-que-duplicou-nos-ultimos-40-anos
A investigação, acabada de publicar na revista The Lancet, revela que entre 1975 e 2014 a obesidade entre os homens triplicou (de cerca de 3%, em 1975, para quase 11%, em 2014) e que nas mulheres mais do que duplicou (de mais de 6% para perto de 15%), anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).
Conduzida pelo Imperial College London, a pesquisa, que contou com a colaboração da investigadora Cristina Padez, do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, “envolveu perto de 20 milhões de adultos de 186 países”.
Os dados relativos a Portugal são “compostos por uma amostra de mais de 820 mil jovens adultos de todo o país, com idades compreendidas entre os 18 e 20 anos, de vários estratos sociais, que participaram nas inspeções militares, no período 1985-2000”, refere a especialista do CIAS, citada pela UC numa nota hoje divulgada.
Mais de um em cada dez homens e uma em cada sete mulheres, em todo o mundo, estão agora obesos”, concluiu o estudo.
Em quatro décadas, a obesidade entre os homens triplicou, de 3,2% em 1975 para 10,8% em 2014” e “nas mulheres, mais do que duplicou, passando de 6,4% em 1975 para 14,9% em 2014”.
Isto é, em 2014, “266 milhões de homens e 375 milhões de mulheres em todo o mundo eram obesos, significando também que a população mundial tornou-se mais pesada em cerca de 1,5 quilogramas em cada década subsequente desde 1975”, explicita a UC.
Além disso, 2,3% dos homens e 5% de mulheres de todo o mundo têm a “classificação de obesidade grave, colocando-os em risco acrescido para o desenvolvimento de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e vários tipos de cancro”.
O estudo, que envolveu a Organização Mundial de Saúde (OMS), previu igualmente as tendências globais de evolução da obesidade, indicando que, em 2025, 18% dos homens e 21% das mulheres sofrerão de obesidade, acrescenta a UC.
A pesquisa “mostra um cenário tremendamente assustador, indicando que vai ser praticamente impossível atingir a meta global estabelecida pela OMS no sentido de até 2025 estabilizar os valores da obesidade nos níveis de 2010”, salienta Cristina Padez.
Tem de haver uma política global de combate à obesidade por parte dos governos e não centrada apenas nos indivíduos”, adverte a investigadora.
A obesidade é “um dos grandes fatores de risco para um conjunto vasto de patologias, com custos sociais e económicos brutais para os países”, observa a especialista da UC em obesidade.
In, em 11/04/2016: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/investigacao/obesidade-no-mundo-mais-do-que-duplicou-nos-ultimos-40-anos
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Excertos do livro "Gorduchos & Redondinhas"
O artigo que se segue apresenta excertos do livro Gorduchos & Redondinhas, com coordenação da Professora Isabel do Carmo.
Página 19
"A obesidade na espécie humana pode, de uma forma simplista, ocorrer em três situações:
- ser totalmente resultante de alterações dos nossos genes;
- ser consequência de uma interação entre «genes favorecedores» e um «ambiente facilitador» e, ainda;
- ocorrer apenas por comportamento obesogénico, ou seja, ser consequência de um estilo de vida pouco saudável suportado em maus hábitos alimentares e pouca atividade física."
Página 21
"A causa mais comum de obesidade humana (cerca de 95 por cento da totalidade dos casos de obesidade) não é consequente de nenhuma «doença», mas apenas secundária a comportamentos favorecedores do aumento de peso ou da acumulação de gordura corporal, acima dos limites considerados desejáveis e em valores capazes de comprometer a saúde física e psicossocial."
Página 23
"O filho de uma mulher obesa, ou com diabetes gestacional, tem forte probabilidade (mais do que se a obesidade ou a diabetes forem paternas), de vir a ser uma criança/ adolescente/ adulto obeso."
(...) "a oferta nutricional durante o(s) primeiro(s) ano(s) de vida é determinante do risco futuro de doença, estando demonstrado que o aleitamento materno está associado a uma proteção, mesmo que seja moderada."
Página 26
"- Período pré-escolar (três a sete anos) e da adolescência: (...) Efetivamente, quando uma criança entre os três e os sete anos desenvolve e mantém obesidade, regista um risco de mais de 60 por cento de vir a mantê-la para a vida, subindo este risco para 80 por cento se tiver pelo menos um dos progenitores obesos. No que diz respeito ao adolescente, o risco de, se este for obeso, se manter um adulto obeso é de mais de 9 por cento, independentemente da existência de obesidade parental."
| www.isabeldocarmo.pt/ |
CARMO, I. (2012). Gorduchinhos e Redondinhas. Isabel do Carmo e Publicações Dom Quixote. 1ª Edição
Página 19
"A obesidade na espécie humana pode, de uma forma simplista, ocorrer em três situações:
- ser totalmente resultante de alterações dos nossos genes;
- ser consequência de uma interação entre «genes favorecedores» e um «ambiente facilitador» e, ainda;
- ocorrer apenas por comportamento obesogénico, ou seja, ser consequência de um estilo de vida pouco saudável suportado em maus hábitos alimentares e pouca atividade física."
Página 21
"A causa mais comum de obesidade humana (cerca de 95 por cento da totalidade dos casos de obesidade) não é consequente de nenhuma «doença», mas apenas secundária a comportamentos favorecedores do aumento de peso ou da acumulação de gordura corporal, acima dos limites considerados desejáveis e em valores capazes de comprometer a saúde física e psicossocial."
Página 23
"O filho de uma mulher obesa, ou com diabetes gestacional, tem forte probabilidade (mais do que se a obesidade ou a diabetes forem paternas), de vir a ser uma criança/ adolescente/ adulto obeso."
(...) "a oferta nutricional durante o(s) primeiro(s) ano(s) de vida é determinante do risco futuro de doença, estando demonstrado que o aleitamento materno está associado a uma proteção, mesmo que seja moderada."
Página 26
"- Período pré-escolar (três a sete anos) e da adolescência: (...) Efetivamente, quando uma criança entre os três e os sete anos desenvolve e mantém obesidade, regista um risco de mais de 60 por cento de vir a mantê-la para a vida, subindo este risco para 80 por cento se tiver pelo menos um dos progenitores obesos. No que diz respeito ao adolescente, o risco de, se este for obeso, se manter um adulto obeso é de mais de 9 por cento, independentemente da existência de obesidade parental."
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Gordura localizada na região abdominal = maior probabilidade de ter um AVC, ataque cardíaco, cancro ou diabetes
Ter uma barriga saliente é pior para a saúde do que ser
obeso ou ter excesso de peso. Um novo estudo afirma que, mesmo se uma pessoa
for magra no resto do corpo, a gordura localizada no ventre aumenta a
probabilidade de ter um AVC, ataque cardíaco, cancro ou diabetes.
Ter uma “barriguinha de cerveja" tornou-se algo banal, mas os cientistas alertam que é uma situação preocupante. Mesmo que o índice de massa corporal (IMC) seja normal e que a pessoa aparente ser magra, se houver gordura localizada na barriga, então deve ter cuidado com o seu peso.
Isto porque este é o tipo de gordura mais mortal que existe. De acordo com a CNN, o tipo de gordura do ventre é interna e está localizada em redor dos órgãos. Esta pode ser assimilada pelo fígado, que a transforma em colesterol e que vai entupir as artérias. Para além disto, torna o organismo resistente à insulina e pode provocar o surgimento de diabetes do tipo 2.
Ter uma “barriguinha de cerveja" tornou-se algo banal, mas os cientistas alertam que é uma situação preocupante. Mesmo que o índice de massa corporal (IMC) seja normal e que a pessoa aparente ser magra, se houver gordura localizada na barriga, então deve ter cuidado com o seu peso.
Isto porque este é o tipo de gordura mais mortal que existe. De acordo com a CNN, o tipo de gordura do ventre é interna e está localizada em redor dos órgãos. Esta pode ser assimilada pelo fígado, que a transforma em colesterol e que vai entupir as artérias. Para além disto, torna o organismo resistente à insulina e pode provocar o surgimento de diabetes do tipo 2.
“Por vezes ouço alguns dos meus pacientes, que têm IMCs
normais, a perguntar-me: ‘por que tenho de fazer exercício se tenho um peso
normal? Eu devia poder comer tudo o que quisesse”, lamentou o cardiologista
Francisco Lopez-Jimenez, um dos autores do estudo.
Segundo a investigação, que analisou 15.000 pessoas, os homens com barriga têm um risco de mortalidade duas vezes superior ao das pessoas com excesso de peso ou obesas. Nas mulheres o risco é 1,5 vezes maior.
Os cientistas garantem que, apesar de ser difícil diminuir o perímetro da cintura, esta não é uma tarefa impossível. Para tal é preciso comer saudavelmente, evitando comida processada, consumir carne apenas esporadicamente, apostar nos vegetais e fazer exercício.
Para além disto, estas pessoas devem evitar o stress. Alguns estudos têm mostrado uma relação entre o nível de ansiedade e o perímetro abdominal.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
A relação entre a obesidade e o cancro
Cerca de meio milhão de novos casos de cancro por ano entre os adultos podem ser atribuídos ao excesso de peso e à obesidade, defende um estudo divulgado pela revista médica especializada «The Lancet Oncology».
O estudo foi desenvolvido pelo Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro, que é uma agência da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Uma das suas conclusões é a de que o excesso de peso e a obesidade tornaram-se um dos principais riscos, responsáveis por 3,6% (cerca de 481 mil) dos novos casos de cancro em adultos registados em 2012.
Esta análise apoia-se numa vasta base de dados Globocan, que comporta a incidência e a mortalidade por cancro em 184 países.
Os países considerados ricos são os mais afetados com cerca de dois terços (64%) por estes cancros. Na América do Norte registaram-se 111 mil, ou seja, cerca de um quarto do total.
A África subsariana é a região que menos contribui para este balanço, com 7.300 cancros.
Na Europa é a Europa de Leste que é a zona mais afetada, com 65 mil casos.
O estudo mostra que a relação entre cancro e obesidade afeta mais as mulheres do que os homens, em grande parte devido aos cancros na mucosa do útero e na mama depois da menopausa.
Nos homens, o excesso de peso é responsável por 1,9% (136 mil) dos novos casos aparecidos em 2012 e nas mulheres é de 5,4% (345 mil), numa síntese apresentada pela Lusa.
Segundo a OMS, a obesidade duplicou desde 1980. O peso a mais afeta 1,4 mil milhões de pessoas, com 20 anos ou mais, dos quais mais de 200 milhões de homens e cerca de 300 milhões de mulheres são obesos.
Em 26/11/2014, in: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/estudo/a-relacao-entre-a-obesidade-e-o-cancro
O estudo foi desenvolvido pelo Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro, que é uma agência da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Uma das suas conclusões é a de que o excesso de peso e a obesidade tornaram-se um dos principais riscos, responsáveis por 3,6% (cerca de 481 mil) dos novos casos de cancro em adultos registados em 2012.
Esta análise apoia-se numa vasta base de dados Globocan, que comporta a incidência e a mortalidade por cancro em 184 países.
Os países considerados ricos são os mais afetados com cerca de dois terços (64%) por estes cancros. Na América do Norte registaram-se 111 mil, ou seja, cerca de um quarto do total.
A África subsariana é a região que menos contribui para este balanço, com 7.300 cancros.
Na Europa é a Europa de Leste que é a zona mais afetada, com 65 mil casos.
O estudo mostra que a relação entre cancro e obesidade afeta mais as mulheres do que os homens, em grande parte devido aos cancros na mucosa do útero e na mama depois da menopausa.
Nos homens, o excesso de peso é responsável por 1,9% (136 mil) dos novos casos aparecidos em 2012 e nas mulheres é de 5,4% (345 mil), numa síntese apresentada pela Lusa.
Segundo a OMS, a obesidade duplicou desde 1980. O peso a mais afeta 1,4 mil milhões de pessoas, com 20 anos ou mais, dos quais mais de 200 milhões de homens e cerca de 300 milhões de mulheres são obesos.
Em 26/11/2014, in: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/estudo/a-relacao-entre-a-obesidade-e-o-cancro
terça-feira, 9 de julho de 2013
Portugueses com menos dinheiro ou escolaridade tendem a ser mais obesos
As famílias portuguesas com menos rendimentos e menores
graus de escolaridade tendem a ter maiores prevalências de obesidade e de
diabetes, alerta o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação
Saudável.
Pedro Graça baseia-se em estudos feitos em Portugal que diz
refletirem resultados muitos semelhantes aos encontrados em outros países
europeus e ocidentais. Uma dessas análises mostra que o risco de ser obeso
duplica quando se passa de 10 a 12 anos de escolaridade para até quatro anos de
escolaridade.
«A obesidade pode surgir como mais um dos aspetos das
desigualdades sociais, com maiores prevalências em populações com maior
vulnerabilidade económica. As situações de carência económica podem coexistir
com situações de obesidade», adiantou à agência Lusa o nutricionista, presente
nesta terça-feira no seminário «As desigualdades sociais e o risco de
diabetes», em Lisboa.
O acesso fácil a produtos alimentares baratos que são ricos
em energia, mas pobres em nutrientes, contribui para que as famílias com menos
recursos façam uma alimentação menos saudável e que mais contribui para o
excesso de peso.
Ainda não é claro que a crise económica em Portugal vá
agravar os problemas da obesidade, mas é natural que possa vir a acontecer no
entendimento o diretor do programa de alimentação saudável da Direção-Geral da
Saúde.
«Como é que um país se prepara para isto? A maior parte dos
países europeus está ainda pouco preparada para um fenómeno - uma crise - desta
dimensão e para as suas consequências», reconheceu Pedro Graça apontando que
primeiro é necessário informar a população sobre quais os alimentos de base que
não podem faltar num cabaz familiar, mesmo num cenário de contenção ou de
dificuldade económica.
«É apenas um exemplo, mas a proteína do leite ou dos ovos é
mais barata do que a da carne e do peixe», referiu o especialista indicando que
é importante que as famílias saibam que tipos de alimentos devem escolher -
sobretudo quando têm poucos recursos.
Será particularmente importante, considera o perito, que a
informação seja passada de uma forma acessível a pessoas com vários níveis de
escolarização e por vários canais de acesso.
domingo, 19 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Carne com conta, peso e medida
A carne é uma alimento benéfico na nossa alimentação uma vez que além de proteínas fundamentais para o crescimento, manutenção e reparação de células e tecidos, fornece ferro, zinco e vitaminas do complexo B. No entanto, carne em excesso, sobretudo as carnes vermelhas e os alimentos processados a partir desta, podem elevar o risco de morte prematura segundo um alargado estudo da Universidade de Harvard. Nas mais de 120 mil pessoas abrangidas por este estudo, esse risco aumentava cerca de 13% no caso das carnes vermelhas sem processamento (novilho, vaca, vitela, porco, borrego e cabrito) e até 20% nos derivados (salsichas, chouriços, salame, etc.).
O risco de morte associa-se a uma muito maior prevalência de doenças cardiovasculares resultante do elevado teor de gorduras saturadas que estes alimentos contêm, mas também a uma maior incidência de cancro, sobretudo do cólon e do pâncreas. O mesmo estudo refere que este risco pode ser grandemente diminuído se estes alimentos forem substituídos por carne de aves e peixe, com muito menor quantidade de gorduras saturadas e carcinogéneos como os nitritos existentes nos enchidos, e ainda mais quando a alimentação inclui cereais integrais e frutos secos (nozes e afins).
Sabe-se há muito que a alimentação mediterrânica é considerada a mais saudável do mundo e que a sua base é constituída por fruta, hortícolas, cereais e leguminosas, frutos frescos e secos, peixe, marisco e aves, azeite como gordura de eleição, e vinho em quantidade moderada -1 copo por dia para as mulheres e dois copos para os homens. Nesta dieta, a carne vermelha surge apenas dois ou três dias por mês.
Os portugueses usam e abusam da carne, comendo-a frequentemente duas vezes por dia, ou mais, se considerarmos os snacks onde entra o fiambre, o chouriço ou o salpicão como recheio do pão...
Uma vez que é um pouco irrealista passar do oitenta para o oito assim do pé para a mão, sugiro que não se ultrapasse os 500 g de carne por semana por pessoa. Não é difícil, tudo depende da forma como a confecionamos e apresentamos no prato. Senão vejamos:
Quantos gramas de carne imagina que estão neste prato?
O risco de morte associa-se a uma muito maior prevalência de doenças cardiovasculares resultante do elevado teor de gorduras saturadas que estes alimentos contêm, mas também a uma maior incidência de cancro, sobretudo do cólon e do pâncreas. O mesmo estudo refere que este risco pode ser grandemente diminuído se estes alimentos forem substituídos por carne de aves e peixe, com muito menor quantidade de gorduras saturadas e carcinogéneos como os nitritos existentes nos enchidos, e ainda mais quando a alimentação inclui cereais integrais e frutos secos (nozes e afins).
Sabe-se há muito que a alimentação mediterrânica é considerada a mais saudável do mundo e que a sua base é constituída por fruta, hortícolas, cereais e leguminosas, frutos frescos e secos, peixe, marisco e aves, azeite como gordura de eleição, e vinho em quantidade moderada -1 copo por dia para as mulheres e dois copos para os homens. Nesta dieta, a carne vermelha surge apenas dois ou três dias por mês.
Os portugueses usam e abusam da carne, comendo-a frequentemente duas vezes por dia, ou mais, se considerarmos os snacks onde entra o fiambre, o chouriço ou o salpicão como recheio do pão...
Uma vez que é um pouco irrealista passar do oitenta para o oito assim do pé para a mão, sugiro que não se ultrapasse os 500 g de carne por semana por pessoa. Não é difícil, tudo depende da forma como a confecionamos e apresentamos no prato. Senão vejamos:
Quantos gramas de carne imagina que estão neste prato?
Pus esta questão no Facebook e as repostas foram múltiplas e variadas mas quase sempre muito acima dos 100 g.
Na realidade, estas cinco fatias pesam 65 g.
É claro que cortadas finamente, mas o que é importante é que parece muita e isso conta sobretudo para quem gosta de ver os pratos cheios. Portanto, uma maneira de comer menor quantidade é prepará-la do modo que se coma pouca, embora parecendo muita, tirando partido do seu sabor. Um esparguete à bolonhesa, em que se juntou cogumelos, courgete ou alho-francês à carne terá muito sabor a carne, mas 60-70 g chegarão para o conseguir. Uma "jardineira" que inclua, além da batata, nabo, cenoura, ervilhas ou outros legumes poderá ter muito sabor e não ultrapassar essa gramagem de carne por pessoa. E muitos mais pratos poderão substituir os exorbitantes bifes do tamanho do prato. Quem costuma comer em restaurantes italianos sabe que um prato de carpaccio - carne laminada como fiambre, temperada com azeite, raspas de queijo parmesão e acompanhada por folhas de rúcula - apesar de cheio, não contém mais do que 50 gramas de carne.
Um outro importante estudo do Hospital das Clínicas de Barcelona corroborou os benefícios da alimentação mediterrânica na redução drástica - em cerca de 30% - de enfartes do miocárdio e derrames cerebrais.
Este estudo, que envolveu cerca de 8000 pessoas, acabou por ser interrompido, quando se percebeu que, depois de terem chegado a essas conclusões, seria falta de ética impedir que as pessoas fizessem uma alimentação mediterrânica saudável só porque eram cobaias humanas...
Em resumo, a carne é um alimento importante na alimentação humana mas é possível e desejável que a comamos muito menos vezes e em muito menor quantidade. É sempre bom lembrar que há mais relatos de doença pelo seu consumo excessivo do que pela sua ausência na alimentação, e o que é necessário é combinar de forma adequada as proteínas e o ferro existente nos alimentos de origem vegetal.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Os bodes expiatórios para o excesso de peso
Sendo a obesidade um flagelo dos dias de hoje com
consequências desastrosas para a saúde, qualidade e esperança de vida das
populações e ainda um fator que promove gastos incalculáveis para os países,
muita é a investigação que se faz com vista a encontrar os motivos que se
prendem com uma tão grande taxa de obesos e pessoas com excesso de peso por
esse mundo fora.
Sempre esperançada que seja descoberto um tratamento rápido e eficaz contra esta "epidemia", vou recebendo diariamente, e a meu pedido, alertas sobre estudos e novas descobertas que possam explicar e contribuir para o tratamento, logo diminuição, do número de pessoas com excesso ponderal.
Não querendo ser mais "papista que o papa" mas tendo consciência de que, ao fim de muitos anos, ainda nenhum tratamento ou produto eficaz contra a obesidade foi efetivamente implementado sem consequências nefastas para a saúde, resolvi trazer hoje aqui uma lista de notícias de estudos realizados que, se por um lado alimentam a esperança de quem se debate diariamente com esse problema (quem trata ou quem se quer tratar), por outro faz com que se aceite com resignação o excesso de peso como algo que a só genética ou fatores exógenos podem provocar:
- "Bebidas açucaradas contribuem para o aumento da obesidade";
- "Sedentarismo na infância causa obesidade";
- "Equação feita na França prevê obesidade infantil";
- "Relação entre bactérias intestinais e obesidade";
- "Altos níveis de insulina podem conduzir à obesidade";
- "Crianças que têm TV no quarto têm maior risco de desenvolver obesidade";
- "Redes sociais aumentam autoestima mas também obesidade";
- "Radiações de Fukushima ligadas ao aumento da obesidade infantil no Japão";
- "Gordos vivem mais tempo do que os magros";
- "Retirar açúcar dos cereais pode combater a obesidade infantil";
- "Novo estudo sugere que a ausência de uma proteína chamada p62 pode contribuir para a obesidade";
- "Cientistas descobrem uma enzima Aldh1a1 que leva à obesidade nas mulheres";
- "Videojogos podem reduzir risco de obesidade infantil";
- "Desregulação do ritmo circadiano associado a obesidade, diabetes e doença cardíaca".
É certo que tanto a genética como alterações hormonais, como fatores externos ao organismo podem efetivamente contribuir para despoletar ou agravar o excesso de peso e a obesidade, mas há uma conclusão praticamente consensual e universal: é que apesar de todos os fatores implicados no aumento de peso, este só surge se a ingestão de calorias for superior às que o organismo consegue queimar na sua atividade diária. Não conheço nenhum caso de obesidade em países ou situações em que há fome...
Por isso, apesar de o metabolismo estar mais lento devido a qualquer problema físico como o deficiente funcionamento da glândula tiroide, por exemplo, será necessário ajustar a quantidade de calorias que se ingerem em relação ao baixo gasto energético do organismo. Parte da solução está em não comparar a quantidade de comida no nosso prato com aquilo que achamos que é a quantidade certa, e muito menos com o que comem os nossos pares - marido, pais, filhos, colegas, etc., e que nos fazem acreditar que comemos pouco. Pouco ou muito, tem apenas relação com o que o corpo precisa e não nos devemos esquecer que não é a quantidade que dita as calorias ingeridas. Podemos comer muita quantidade de um alimento com poucas calorias (por exemplo, teremos dificuldade, pelo seu volume, em ingerir 300 g de alface com cerca de 20 ou 30 calorias) mas facilmente comer um pastel de carne folhado com 500, 600 ou mais calorias...
As bebidas com calorias, que no fundo são todas exceto a água, engordam tanto como outros alimentos e são pouco saciantes porque rapidamente passam do estômago para o intestino. No entanto, 300 ml de Coca-Cola têm tantas calorias como o "famigerado" pão e podem contribuir para um aumento de peso de cerca de 7 quilos por ano, caso se consuma diariamente além das necessidades energéticas normais. Mas com um grande diferença: o pão é um alimento essencial numa alimentação racional e equilibrada e os refrigerantes são absolutamente dispensáveis!
Para terminar, devo referir que há outras notícias que podem fazer acordar para a verdadeira essência e tratamento do problema.
Por um lado, a dura realidade de que a "obesidade causa mais mortes do que a fome" e, por outro, a de que a indústria alimentar começa a dar sinais de que está a assumir a sua quota-parte de responsabilidade e a promover produtos que forneçam menos calorias, sejam eles alimentos ou bebidas - "Coca-Cola aborda problema da obesidade pela primeira vez na publicidade"...
Mas não esquecer: a opção é sempre do consumidor, com exceção das crianças que dependem dos pais e educadores!
Sempre esperançada que seja descoberto um tratamento rápido e eficaz contra esta "epidemia", vou recebendo diariamente, e a meu pedido, alertas sobre estudos e novas descobertas que possam explicar e contribuir para o tratamento, logo diminuição, do número de pessoas com excesso ponderal.
Não querendo ser mais "papista que o papa" mas tendo consciência de que, ao fim de muitos anos, ainda nenhum tratamento ou produto eficaz contra a obesidade foi efetivamente implementado sem consequências nefastas para a saúde, resolvi trazer hoje aqui uma lista de notícias de estudos realizados que, se por um lado alimentam a esperança de quem se debate diariamente com esse problema (quem trata ou quem se quer tratar), por outro faz com que se aceite com resignação o excesso de peso como algo que a só genética ou fatores exógenos podem provocar:
- "Bebidas açucaradas contribuem para o aumento da obesidade";
- "Sedentarismo na infância causa obesidade";
- "Equação feita na França prevê obesidade infantil";
- "Relação entre bactérias intestinais e obesidade";
- "Altos níveis de insulina podem conduzir à obesidade";
- "Crianças que têm TV no quarto têm maior risco de desenvolver obesidade";
- "Redes sociais aumentam autoestima mas também obesidade";
- "Radiações de Fukushima ligadas ao aumento da obesidade infantil no Japão";
- "Gordos vivem mais tempo do que os magros";
- "Retirar açúcar dos cereais pode combater a obesidade infantil";
- "Novo estudo sugere que a ausência de uma proteína chamada p62 pode contribuir para a obesidade";
- "Cientistas descobrem uma enzima Aldh1a1 que leva à obesidade nas mulheres";
- "Videojogos podem reduzir risco de obesidade infantil";
- "Desregulação do ritmo circadiano associado a obesidade, diabetes e doença cardíaca".
É certo que tanto a genética como alterações hormonais, como fatores externos ao organismo podem efetivamente contribuir para despoletar ou agravar o excesso de peso e a obesidade, mas há uma conclusão praticamente consensual e universal: é que apesar de todos os fatores implicados no aumento de peso, este só surge se a ingestão de calorias for superior às que o organismo consegue queimar na sua atividade diária. Não conheço nenhum caso de obesidade em países ou situações em que há fome...
Por isso, apesar de o metabolismo estar mais lento devido a qualquer problema físico como o deficiente funcionamento da glândula tiroide, por exemplo, será necessário ajustar a quantidade de calorias que se ingerem em relação ao baixo gasto energético do organismo. Parte da solução está em não comparar a quantidade de comida no nosso prato com aquilo que achamos que é a quantidade certa, e muito menos com o que comem os nossos pares - marido, pais, filhos, colegas, etc., e que nos fazem acreditar que comemos pouco. Pouco ou muito, tem apenas relação com o que o corpo precisa e não nos devemos esquecer que não é a quantidade que dita as calorias ingeridas. Podemos comer muita quantidade de um alimento com poucas calorias (por exemplo, teremos dificuldade, pelo seu volume, em ingerir 300 g de alface com cerca de 20 ou 30 calorias) mas facilmente comer um pastel de carne folhado com 500, 600 ou mais calorias...
As bebidas com calorias, que no fundo são todas exceto a água, engordam tanto como outros alimentos e são pouco saciantes porque rapidamente passam do estômago para o intestino. No entanto, 300 ml de Coca-Cola têm tantas calorias como o "famigerado" pão e podem contribuir para um aumento de peso de cerca de 7 quilos por ano, caso se consuma diariamente além das necessidades energéticas normais. Mas com um grande diferença: o pão é um alimento essencial numa alimentação racional e equilibrada e os refrigerantes são absolutamente dispensáveis!
Para terminar, devo referir que há outras notícias que podem fazer acordar para a verdadeira essência e tratamento do problema.
Por um lado, a dura realidade de que a "obesidade causa mais mortes do que a fome" e, por outro, a de que a indústria alimentar começa a dar sinais de que está a assumir a sua quota-parte de responsabilidade e a promover produtos que forneçam menos calorias, sejam eles alimentos ou bebidas - "Coca-Cola aborda problema da obesidade pela primeira vez na publicidade"...
Mas não esquecer: a opção é sempre do consumidor, com exceção das crianças que dependem dos pais e educadores!
In: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=D3F0F7CAFC187662E0400A0AB8005E7A&opsel=2&channelid
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A história verdadeira de um Paulinho gordinho
Era uma vez um Paulinho gordinho, que andava no 5.º ano e,
como não gostava de se ver ao espelho, também não gostava de ir às aulas de
Educação Física. E quem falta a estas, falta também às outras, acabando por
reprovar por faltas, apesar das inúmeras cartas e dos muitos telefonemas da
diretora de turma para a mãe, que raramente ia à escola falar com ela e que
sempre se mostrou pouco firme com o filho no que se referia a obrigá-lo a ir às
aulas. Achava ela, provavelmente, que, se ele não se sentia lá bem, mais valia
ficar em casa.
E foi assim que o Paulo entrou numa nova turma de 5.º ano, mais gordinho, mais altinho e com uma diferença de tamanho (e largura) e idade relativamente aos colegas ainda maior do que tinha acontecido no ano anterior. O fim lógico da história parece ser que o Paulinho se sentiu cada vez pior, faltou cada vez mais e reprovou de novo. Enganam-se. A história tem um final feliz. Vamos ao que se passou.
No novo ano escolar as faltas começaram a aparecer. Diretora de turma, psicóloga escolar e professora de Educação Física definiram estratégias de intervenção articuladas, situação que, posteriormente, se alargou também ao restante Conselho de Turma (CT). Enquanto a psicóloga acompanhava o Paulo em atendimentos individuais, colaborou também com a diretora de turma e o CT no apoio à sua integração na turma, através de atividades desenvolvidas em Formação Cívica e de uma atenção particular da professora de Educação Física a ele nas suas aulas. Foi assim que o Paulo, que até já conhecia alguns alunos da turma, se sentiu bem recebido e apreciado, independentemente da sua imagem corporal. Deu-se a feliz coincidência de, a meio desse ano letivo, a médica de família o ter mandado para consultas de nutricionismo, que, com a sua força de vontade no seguimento da dieta prescrita e na prática diária do exercício físico recomendado, deram resultados rápidos e evidentes (emagrecimento), com a consequente elevação da sua autoestima, reforçada pelos elogios de professores e colegas.
Mas nem tudo correu bem nesta história. Houve ocasiões, nesse 5.º ano e no 6.º ano que se lhe seguiu, em que o Paulinho voltou a faltar às aulas e a mãe a não aparecer com facilidade às chamadas da diretora de turma. Quando vinha, mostrava-se pouco firme, como no ano em que o filho tinha reprovado. E foi assim que a diretora de turma começou a pedir comprovativos dos motivos apresentados para as justificações das faltas e a injustificá-las quando eles não eram apresentados. A esta estratégia adicionou-se a colaboração do Presidente do Conselho Executivo (CE) que se prontificou a atender a encarregada de educação e o aluno com a diretora de turma, para tentar responsabilizá-los mais pela assiduidade. Com estes altos e baixos, o Paulo lá passou para o 6.º ano.
Era uma vez um Paulinho que, no 6.º ano, já não era tão gordinho e estava cada vez mais "elegante". Apesar de já se sentir completamente bem na turma e de continuar a receber todos os apoios do ano anterior, de vez em quando lá faltava e os 'de vez em quando' começaram a aumentar. Nem a injustificação das faltas estava a parecer impedir o retrocesso. Conversas da diretora de turma e da psicóloga com ele deram a conhecer uma família desestruturada, com um pai desempregado e agressivo e uma mãe que trabalhava excessivamente, ficando os mimos do Paulo repartidos por ela (num tempo escasso) e pelos avós maternos (que viviam longe). Paulo gostava de se refugiar na casa deles e, por isso, faltava às aulas, a ponto de, mais uma vez, estar em riscos de perder o ano por faltas. Nova reunião da diretora de turma e do presidente do CE com a mãe e o aluno serviu para lhes mostrar a retenção à vista, mas também a possibilidade de passagem, se o Conselho Pedagógico o aprovasse, após um parecer favorável do CT. O sonho do Paulo era tirar um curso profissional. Ele queria ser eletricista. Nesta conversa, os problemas familiares do Paulo foram tidos em conta e foram propostas algumas possibilidades de apoio pela escola. Foi mostrado, a mãe e filho, que a passagem de ano precisava agora de ser uma conquista, que implicava a ausência de qualquer falta injustificada. Mãe e filho choraram, mas sentiram-se apoiados e perceberam que a dureza da aplicação da lei, com a injustificação das faltas, apenas visava ajudar o Paulo a alcançar o seu sonho.
E a história acabou bem. Não tem o fim tradicional dos contos de fadas, mas tem um fim adequado a uma história de um menino/adolescente, com uma vida difícil, que lutou e foi apoiado na sua luta, chegou ao fim do ano com sucesso e, no ano seguinte, conseguiu ingressar no curso profissional pretendido. Logo que o conseguiu, telefonou para a escola a dar a boa nova à diretora de turma e à psicóloga.
Moral da história:
1. Por trás dos problemas manifestados por cada aluno, há uma história de vida que é necessário conhecer para se definir uma estratégia de intervenção adequada e eficaz.
2. É importante mobilizar os recursos existentes e adequados a cada caso.
3. É fundamental tentar conseguir o apoio e a colaboração da família, que, muitas vezes, como neste caso, implica a formação dos próprios pais.
4. É importante fazer uso dos instrumentos legais existentes e adequados a cada situação, não de uma maneira cega, mas rigorosa, pedagógica e intencional.
Sabemos, por experiência, que nem todas as histórias têm este final feliz. Mas vale a pena lutar por ele e nunca desistir.
Nota Final:
Esta história tem alguns anos. De lá para cá, tudo ficou mais difícil nas escolas. Ao Conselho Executivo, sucedeu-se a figura do Diretor; o Estatuto do Aluno já foi modificado; a Formação Cívica deixou de existir; cada diretor de turma depara-se com muito mais Paulinhos, uns gordinhos e outros magrinhos, mas todos com problemas (sociais e de outras naturezas) crescentes, a somar-se a um número maior de turmas e, consequentemente, a um número também maior de alunos, fazendo escassear o tempo que pode dedicar a cada um. Apesar das dificuldades com que os professores e as escolas se batem, reforço a mensagem contida nos quatro pontos da moral da história, embora condicionada pela situação presente.
E foi assim que o Paulo entrou numa nova turma de 5.º ano, mais gordinho, mais altinho e com uma diferença de tamanho (e largura) e idade relativamente aos colegas ainda maior do que tinha acontecido no ano anterior. O fim lógico da história parece ser que o Paulinho se sentiu cada vez pior, faltou cada vez mais e reprovou de novo. Enganam-se. A história tem um final feliz. Vamos ao que se passou.
No novo ano escolar as faltas começaram a aparecer. Diretora de turma, psicóloga escolar e professora de Educação Física definiram estratégias de intervenção articuladas, situação que, posteriormente, se alargou também ao restante Conselho de Turma (CT). Enquanto a psicóloga acompanhava o Paulo em atendimentos individuais, colaborou também com a diretora de turma e o CT no apoio à sua integração na turma, através de atividades desenvolvidas em Formação Cívica e de uma atenção particular da professora de Educação Física a ele nas suas aulas. Foi assim que o Paulo, que até já conhecia alguns alunos da turma, se sentiu bem recebido e apreciado, independentemente da sua imagem corporal. Deu-se a feliz coincidência de, a meio desse ano letivo, a médica de família o ter mandado para consultas de nutricionismo, que, com a sua força de vontade no seguimento da dieta prescrita e na prática diária do exercício físico recomendado, deram resultados rápidos e evidentes (emagrecimento), com a consequente elevação da sua autoestima, reforçada pelos elogios de professores e colegas.
Mas nem tudo correu bem nesta história. Houve ocasiões, nesse 5.º ano e no 6.º ano que se lhe seguiu, em que o Paulinho voltou a faltar às aulas e a mãe a não aparecer com facilidade às chamadas da diretora de turma. Quando vinha, mostrava-se pouco firme, como no ano em que o filho tinha reprovado. E foi assim que a diretora de turma começou a pedir comprovativos dos motivos apresentados para as justificações das faltas e a injustificá-las quando eles não eram apresentados. A esta estratégia adicionou-se a colaboração do Presidente do Conselho Executivo (CE) que se prontificou a atender a encarregada de educação e o aluno com a diretora de turma, para tentar responsabilizá-los mais pela assiduidade. Com estes altos e baixos, o Paulo lá passou para o 6.º ano.
Era uma vez um Paulinho que, no 6.º ano, já não era tão gordinho e estava cada vez mais "elegante". Apesar de já se sentir completamente bem na turma e de continuar a receber todos os apoios do ano anterior, de vez em quando lá faltava e os 'de vez em quando' começaram a aumentar. Nem a injustificação das faltas estava a parecer impedir o retrocesso. Conversas da diretora de turma e da psicóloga com ele deram a conhecer uma família desestruturada, com um pai desempregado e agressivo e uma mãe que trabalhava excessivamente, ficando os mimos do Paulo repartidos por ela (num tempo escasso) e pelos avós maternos (que viviam longe). Paulo gostava de se refugiar na casa deles e, por isso, faltava às aulas, a ponto de, mais uma vez, estar em riscos de perder o ano por faltas. Nova reunião da diretora de turma e do presidente do CE com a mãe e o aluno serviu para lhes mostrar a retenção à vista, mas também a possibilidade de passagem, se o Conselho Pedagógico o aprovasse, após um parecer favorável do CT. O sonho do Paulo era tirar um curso profissional. Ele queria ser eletricista. Nesta conversa, os problemas familiares do Paulo foram tidos em conta e foram propostas algumas possibilidades de apoio pela escola. Foi mostrado, a mãe e filho, que a passagem de ano precisava agora de ser uma conquista, que implicava a ausência de qualquer falta injustificada. Mãe e filho choraram, mas sentiram-se apoiados e perceberam que a dureza da aplicação da lei, com a injustificação das faltas, apenas visava ajudar o Paulo a alcançar o seu sonho.
E a história acabou bem. Não tem o fim tradicional dos contos de fadas, mas tem um fim adequado a uma história de um menino/adolescente, com uma vida difícil, que lutou e foi apoiado na sua luta, chegou ao fim do ano com sucesso e, no ano seguinte, conseguiu ingressar no curso profissional pretendido. Logo que o conseguiu, telefonou para a escola a dar a boa nova à diretora de turma e à psicóloga.
Moral da história:
1. Por trás dos problemas manifestados por cada aluno, há uma história de vida que é necessário conhecer para se definir uma estratégia de intervenção adequada e eficaz.
2. É importante mobilizar os recursos existentes e adequados a cada caso.
3. É fundamental tentar conseguir o apoio e a colaboração da família, que, muitas vezes, como neste caso, implica a formação dos próprios pais.
4. É importante fazer uso dos instrumentos legais existentes e adequados a cada situação, não de uma maneira cega, mas rigorosa, pedagógica e intencional.
Sabemos, por experiência, que nem todas as histórias têm este final feliz. Mas vale a pena lutar por ele e nunca desistir.
Nota Final:
Esta história tem alguns anos. De lá para cá, tudo ficou mais difícil nas escolas. Ao Conselho Executivo, sucedeu-se a figura do Diretor; o Estatuto do Aluno já foi modificado; a Formação Cívica deixou de existir; cada diretor de turma depara-se com muito mais Paulinhos, uns gordinhos e outros magrinhos, mas todos com problemas (sociais e de outras naturezas) crescentes, a somar-se a um número maior de turmas e, consequentemente, a um número também maior de alunos, fazendo escassear o tempo que pode dedicar a cada um. Apesar das dificuldades com que os professores e as escolas se batem, reforço a mensagem contida nos quatro pontos da moral da história, embora condicionada pela situação presente.
Por: ARMANDA ZENHAS Mestre em Educação, área de
especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do
Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos
Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do
Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 na Escola Básica de Leça da
Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Obesidade tipos e complicações
Tipos de obesidade segundo o número de adipócitos (células de gordura) - Explica o perigo da obesidade infanto/ juvenil
Segundo este vídeo os períodos críticos para a hiperplasia dos adipócitos, ou seja quando os adipócitos se multiplicam e podem chegar até ao dobro, por volta dos:
- 2 anos
- 6-8 anos
- Antes da puberdade
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Hidratação. Hidratar sem engordar
A água existe em todos os alimentos e bebidas e a quantidade que necessitamos tem a ver com o teor de água dos alimentos e bebidas que ingerimos.
O nosso organismo é constituído por 60-70% de água mas esta perde-se através da urina, fezes, transpiração e respiração. De manhã, ao acordar, verificamos que a urina é mais escura do que na generalidade do dia, e isso deve-se à perda de água pela pele e pelo vapor de água excretado com o ar expirado. Na verdade, enquanto dormimos não comemos nem bebemos e, por isso, não conseguimos ingerir nada que contenha água, apenas a perdemos.
A água existe em todos os alimentos e bebidas e a quantidade que necessitamos tem a ver com o teor de água dos alimentos e bebidas que ingerimos. Por exemplo, se comermos um iogurte sólido, precisamos de beber menos água do que se bebermos um copo de leite, ou se comermos uma banana devemos ingerir maior quantidade de água do que se comermos uma fatia de melão. Mas não podemos ver as coisas de modo tão simplista, porque, em boa verdade, tal como acontece com a ingestão de calorias, o que importa é que a água seja ingerida de modo a compensar as perdas.
Quando e quanto beber?
Como referi, a água faz parte da composição de todos os alimentos que ingerimos, em maior ou menor quantidade. Uma das regras para nos mantermos bem hidratados é não esperar pela sede, mas ingerir água ou outra bebida rica em água de modo a manter a urina o mais parecida possível com água, isto é, praticamente sem cheiro e sem cor. Sempre que sentimos sede, há estruturas orgânicas que já estarão a ser afetadas. A sede é um sinal de alarme que nos obriga a beber água sempre que o teor de água no organismo sofreu uma baixa considerável ou sempre que há o aumento da concentração de alguma substância, como sal ou açúcar. Daqui se depreende que bebidas com açúcar não são boas para matar a sede.
Hidratar sem engordar
Embora muitas vezes se pense que a água engorda, e por isso algumas pessoas recorram a diuréticos para ver o ponteiro da balança mexer, a verdade é que ela não tem calorias e quando o peso baixa por essa via não se fica mais magro, bem pelo contrário, a massa gorda aumenta em relação à massa magra. Por esse motivo, este título pode erradamente levar a pensar que, se se beber muito, se engorda. Mas não. O que me motivou a usá-lo foi o facto de constatar que a tendência da maioria das pessoas nos dias de hoje, é preterirem a água em favor de muitas outras bebidas (e são centenas) que contêm calorias e, como tal, contribuem para o aumento de peso. Embora sejam maioritariamente constituídas por água, além de aditivos, muitas delas contêm efetivamente uma quantidade considerável de calorias que, embora "líquidas", têm o mesmo efeito no aumento de peso que as "sólidas".
Como se pode substituir a água?
Eu diria que só a água substitui a água! No entanto, não podemos fechar os olhos à mudança de gosto face à inúmera oferta de bebidas que diariamente pululam nas prateleiras dos supermercados, e o importante é que as pessoas aprendam a ler e interpretar os rótulos para fazerem as suas escolhas conscientemente. Uma bebida que vai substituir a água não pode ter o mesmo valor calórico de uma que se pretende que substitua (em calorias) um iogurte ou um copo de leite, uma vez que se o valor calórico da água é zero, a bebida que a vai substituir não deverá ter muito mais calorias do que isso!
Bebida Calorias por 100 ml
Lipton línea 1
Continente "Ice-tea light" (vários sabores) 2 a 4
Pleno "Chá preto Earl Grey e Limão" 1
Pleno "Tisanas Cidreira, Tília, Camomila e Limão" 1
Formas Luso (todos os sabores) 1,8
Continente "Água gaseificada limão" 2
Frize Groselha 5
Frize Limão 4
Schweppes Soda Way 0
Cola light (várias marcas) 0
e-manga, laranja e cenoura 0,6
e-maçã 0,6
Estas são algumas opções possíveis para beber, mas, sempre que o fizermos, convém ler o rótulo, analisar os seus ingredientes, para além do valor calórico e do seu preço, e depois decidir se não será melhor tomar um chá gelado feito em casa ou uma limonada...
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Doenças da Obesidade
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Fonte: http://www.adexo.pt/images/stories/Noticias/2011/Sabado_12-05-2011.pdf
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Crianças portuguesas são das mais obesas da Europa
Um terço das crianças portuguesas tem excesso de peso e Portugal é um dos países da Europa com piores indicadores na obesidade infantil, segundo um estudo que vai ser apresentado esta semana numa conferência internacional, avança a Lusa.
«Temos 14 por cento de crianças com obesidade e 32 por cento com excesso de peso», afirmou à agência Lusa a nutricionista Ana Rito.
A especialista lembra os pais que um índice de massa corporal que a partir do percentil 85 é considerado excesso de peso e que acima de 95 é considerado obesidade.
Para Ana Rito, nutricionista do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, os dados relativos a Portugal são «muito preocupantes» e fazem da obesidade a doença mais prevalente na infância.
Os Açores foram a região do país onde se verificou maior prevalência de excesso de peso e obesidade e o Algarve aquela que apresentou os melhores resultados.
In: http://www.mae.iol.pt/bebes/alimentacao-obesidade-criancas/1264721-5538.html
A análise foi feita em 13 países europeus e Portugal é um dos países com maior prevalência de peso a mais em crianças, com a Itália a surgir em primeiro lugar.
«Temos 14 por cento de crianças com obesidade e 32 por cento com excesso de peso», afirmou à agência Lusa a nutricionista Ana Rito.
A especialista lembra os pais que um índice de massa corporal que a partir do percentil 85 é considerado excesso de peso e que acima de 95 é considerado obesidade.
Para Ana Rito, nutricionista do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, os dados relativos a Portugal são «muito preocupantes» e fazem da obesidade a doença mais prevalente na infância.
Os Açores foram a região do país onde se verificou maior prevalência de excesso de peso e obesidade e o Algarve aquela que apresentou os melhores resultados.
In: http://www.mae.iol.pt/bebes/alimentacao-obesidade-criancas/1264721-5538.html
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