Não será novidade para ninguém que a dieta mediterrânea é
considerada a mais saudável do mundo, tendo a aboná-la pelo menos três mil anos
de prática.
Por esse motivo, a Espanha solicitou à Comissão Europeia que a dieta
mediterrânea venha a ser considerada Património Cultural Não Material da
Humanidade e pediu a todos os países da UE que interfiram e apoiem este
propósito.
A dieta mediterrânea é a alimentação dos povos da bacia do Mediterrâneo,
espécie de oásis com a Natureza em todo o seu esplendor, plena de sol, prados e
mar. Tudo isso se reflete na sua culinária repleta de cor, aromas e sabor.
Sabe-se hoje que é a mais adequada para prevenir ou tratar doenças resultantes
de uma alimentação excessiva ou desequilibrada. Inúmeros estudos apontam para
que os seus seguidores tenham muito menor probabilidade de sofrerem de síndrome
metabólico, doença cardíaca ou cancro.
Apesar de Portugal não pertencer aos países mediterrânicos, a verdade é que
produz todos os "ingredientes" da sua dieta. Este termo, originado do
grego diaita, significava um "regime alimentar racional e metódico,
composto por produtos naturais e ecológicos", embora nos nossos dias
esteja quase obrigatória e injustamente ligado a dietas para doentes ou de
emagrecimento. É tempo de retomar o verdadeiro sentido da palavra e entender
que quando se fala em dieta, isso significa a totalidade de alimentos ingeridos
ao longo de um dia, integrados num plano alimentar que dê saúde ao corpo e à
mente.
O que podemos aproveitar da dieta mediterrânea na nossa alimentação?

Se compararmos a nova Roda dos Alimentos com a Pirâmide
Alimentar Mediterrânea podemos notar algumas diferenças, não exatamente nos
alimentos representados mas. sobretudo, na frequência com que devem ser
consumidos.
As diferenças
• A principal é que a pirâmide se refere ao consumo de alimentos ao longo de um
mês enquanto que a Roda se refere à ingestão diária de alimentos (por isso tem
a forma redonda, que sugere um prato de comida).
• Na dieta mediterrânea, ovos, carnes brancas, peixe e marisco só algumas
vezes por semana e carnes vermelhas 2-3 vezes por mês. Um dos grandes erros da
alimentação dos portugueses reside no excesso do consumo de carne, sobretudo de
carne vermelha.
• As nozes e outros frutos secos são utilizados na dieta mediterrânea
diariamente e como substitutos proteicos da carne, pescado ou ovos. Embora o
mesmo fosse desejável para Portugal, por cá estes alimentos são consumidos
sobretudo na época natalícia, não lhes sendo reconhecida a sua importância na
alimentação diária.
• Os doces são permitidos uma ou outra vez por semana (fim de semana?) o que
não acontece na nossa Roda talvez porque esta se refere apenas ao consumo
diário de alimentos.
• A nova Roda dos Alimentos centraliza a importância da água no dia a dia, o
que não acontece na representação gráfica da dieta mediterrânea.
As semelhanças
• O consumo diário de alimentos "farináceos" como batata, arroz,
leguminosas, pão e outros derivados de cereais (grão, feijão, etc.); legumes,
fruta e laticínios com baixo teor de gordura é consensual.
• As gorduras como o azeite devem ser consumidas diariamente mas em pequeninas
porções, uma vez que têm um valor calórico muito elevado e, em excesso, podem
contribuir bastante para o aumento de peso.
No nosso país, produzem-se todos os alimentos necessários a uma alimentação
saudável e não precisamos de recorrer a alimentos importados para colmatar as
nossas necessidades nutricionais. Precisamos, isso sim, de fazer uma escolha
criteriosa daquilo que comemos, aumentando o consumo de alguns alimentos e
reduzindo o de outros para que possamos também dizer e sentir que a nossa é a
alimentação mais saudável do mundo.
PAULA VELOSO. Nutricionista e autora de Dietas sem
Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
In: http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=11698&langid=1